Médico é indiciado por homicídio de um bebê de cinco meses, no oeste catarinense

Um médico, de 56 anos, vai responder por homicídio doloso (quando se assume o risco de matar), pela morte de um bebê de cinco meses em Chapecó, no Oeste catarinense.

A morte do bebê Miguel Lira ocorreu em 7 de setembro do ano passado, após atendimento pelo profissional.  Para a Polícia Civil, houve negligência.

O bebê teria morrido por hipotermia, após excesso de medicamento para febre/ Reprodução NSC

Segundo o delegado responsável pelo caso, da certidão de óbito consta que a causa da morte foi sepse, também conhecida como infecção generalizada. 

Entretanto, as investigações apontam que o bebê morreu após sofrer hipotermia, após excesso de medicamento para febre.


Os pais da criança procuraram a polícia depois de desconfiarem que a morte poderia ter sido provocada por erro médico. Miguel, que foi atendido no Hospital da Criança, era o primeiro filho de Évelin Tailize Aparecida Lira.

"Ele receitou a medicação, não olhou pra mim, não olhou pro nenê, não examinou o nenê, e me deu a receita. Aí eu falei 'doutor, mas eu acabei de dar um remédio pra ele, não tem problema?', aí ele falou assim 'não, você não estudou, né, você não é médica, então faz o que eu estou te pedindo, vai pra casa e se até domingo ele não melhorar, você retorna'", contou Évelin.


Após o atendimento, a família voltou pra casa. Mas poucas horas depois Miguel piorou, mesmo com a medicação. 

Então, os pais voltaram para o hospital para um novo atendimento, com outro médico, mas o bebê já estava com hipotermia. Ele foi levado para a emergência, recebeu novos atendimentos, mas não resistiu.

"Durante toda a carreira profissional dele, ele vem colecionando reclamações de pacientes e até dos próprios profissionais que atuam com ele, no sentido de que ele atuaria com certo descaso em relação aos pacientes",  disse o delegado.

O inquérito está com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que vai analisar se denuncia o médico à Justiça. A direção do Hospital da Criança informou que o médico foi afastado após o caso.

O Conselho Regional de Medicina (CRM) disse que também abriu sindicância para avaliar a possível responsabilidade do médico.