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Maternidade do Hospital Santa Cruz vai continuar atendimento pelo SUS


Causou polêmica a matéria publicada sobre como ficaria o serviço oferecido na maternidade do Hospital Santa Cruz de Canoinhas, a partir de janeiro de 2019, visto que o vereador Paulinho Basílio (MDB), levantou a questão durante sessão na Câmara esta semana.




Para tranquilizar a população, principalmente as gestantes, o Canoinhas Online buscou informações para esclarecer alguns pontos:

1- A decisão de não renovar os contratos com a Prefeitura Municipal de Canoinhas partiu do HSCC, como mostra documento enviado à Secretaria Municipal da Saúde de Canoinhas, datado em 26/10/2018 (o qual temos cópias).

Nele, o Conselho Deliberativo do Hospital informa que não tem mais intenção de prorrogar os serviços de:
-Sobreaviso Médico de sete (7) especialidades;
-Plantão presencial na especialidade de ginecologia/obstetrícia para atenderem na maternidade do HSCC;
-Serviços de urgência e emergência na Unidade de Pronto Atendimento.

Para tal, a direção do HSCC alega dificuldades financeiras para cumprimento integral dos contratos mantidos com o município.

Há de se esclarecer, entretanto, que o término do contrato é com o Governo Municipal.
O Hospital continua credenciado SUS, e conforme o Termo de Contratualização, deve oferecer o mínimo de 60% do atendimento pelo Sistema Único de Saúde, inclusive a maternidade.

Para esse atendimento, via SUS, o Hospital Santa Cruz recebe o valor de R$ 600 mil mensais, oriundos do Fundo Nacional da Saúde, do Governo Federal.




2- A maternidade não ficará sem médico. O que acontece com o fim do contrato com o município é que não haverá um médico de plantão ( 24 horas por dia, todos os dias do ano), na especialidade de ginecologia/obstetrícia para atenderem na maternidade.

Esse serviço é (era ) pago pela prefeitura para melhorar o serviço oferecido à população, disponibilizando profissionais permanentes no local, para atendimento imediato.

3- Quanto a contratação de profissionais para todos os serviços médicos (especialidades/sobreaviso, serviços de urgência e emergência na UPA), a Secretária da Saúde, Zenici Dreher, informou que pelo menos três empresas demonstraram interesse em participar do processo de licitatório.

O edital para contratação de médicos na área de Ginecologia/Obstetrícia deu deserto, isto é, não houve interessados. O edital já foi republicado.

Os editais para contração de médicos especialistas (sobreaviso) já foram abertos e estão aguardando divulgação, o que deve acontecer nos dias 17 e 20 de dezembro.

Como funciona (ou funcionava) o serviço:

O Município de Canoinhas contratou o Hospital Santa Cruz de Canoinhas para que oferecesse o serviço de sete especialidades médicas para atuar no sobreaviso da UPA e no próprio hospital.

As especialidades são ortopedia/traumatologia, cirurgia geral, anestesiologia, pediatria, clinica médica, neurocirurgia e neuroclínica.
Para cada plantão de sobreaviso, o Município pagava R$ 1.019,00.

Como são 13 médicos na escala de sobreaviso, o Município repassava por mês para o Hospital Santa Cruz em torno de R$ 220.000,00. Este, por sua vez, repassava aos profissionais.

Assim, os médicos que atuam no sobreaviso não são servidores do Município, mas tão somente possuem vínculo com o Hospital Santa Cruz.
É este serviço que o HSCC diz não ter mais interesse de prestar ao município.

A multa polêmica

O valor de R$ 500 mil referente a multa cobrada pelo município, do HSCC, gerou polêmica dos dois lados. Muitos não entenderam a situação.

A multa foi gerada depois que um paciente veio a óbito por não ter o suporte de sobreaviso. O caso está no Ministério Público.

Segundo Zenici, a Secretaria da Saúde recebeu 69 denúncias relacionadas ao sobreaviso, das quais, segunda a secretária, as dez mais graves foram investigadas.“É uma questão de respeito com a nossa comunidade, com a aplicação dos recursos públicos e principalmente com a vida."

O Hospital entrou com recurso,mas o município negou provimento e manteve a penalidade administrativa imposta.

O médico, que não compareceu para atendimento ao paciente que foi a óbito, não teve desconto algum em seus vencimentos, tampou recebeu advertência.

Uma vida

O paciente João, de 47 anos, chegou à Unidade de Pronto Atendimento, pela manhã, encaminhado por um médica que o havia atendido na Policlínica Municipal. O mesmo era portador de insuficiência cardíaca de longa data.

Às 11h02m foi entrado em contato com o médico de plantão do sobreaviso da especialidade de clínica médica (cardiologia ) do Hospital Santa Cruz, que aceitou o paciente aos seus cuidados, através de convênio SUS.

Às 12h30 o paciente foi transferido para o HSCC.

Às 14h00, novamente foi entrado em contato com o médico de plantão do sobreaviso, que até aquele momento não havia comparecido ao hospital para examinar o paciente.

Por telefone, a equipe de enfermagem repassou o quadro clínico de João (cardiopata, pressão arterial alta, coloração azul-arroxeada da pele nas extremidades, edemas nos membros inferiores e dores no peito) e foi orientada, pelo médico, a administrar somente 'soro fisiológico' no paciente.

A enfermeira então orientou realizar eletrocardiograma no paciente e entrou em contato com o médico que estava de plantão na UTI, e foi informada que não havia vaga. 

Às 17h05, ainda sem assistência médica do especialista, a enfermagem solicitou ajuda médica do plantonista da UTI, que ao examinar o paciente suspendeu o soro fisiológico e prescreveu outros medicamentos.

Às 20h00, o paciente ainda estava sem atendimento do médico do sobreaviso e sem vaga na UTI.

Às 21h00 o paciente sofre uma parada cardiorespiratória súbita. O plantonista deixa seus pacientes da UTI e desloca-se novamente para a enfermaria para dar assistência. 
Às 21h25 o paciente João, de 47 anos, veio a óbito.

Reflexão: Quanto vale uma vida?