Que tal ter que esperar 32 anos para fazer um exame pelo SUS?

Trinta e dois anos. Esse foi o tempo que recepcionista Renato Guber, 38 anos, ouviu que tinha que esperar para conseguir fazer um exame  de ressonância magnética com contraste pelo SUS.

Seguindo a previsão do SUS, Renato fará o exame quando tiver com 70 anos. Foto: Arquivo pessoal

Renato mora em Palhoça e foi diagnosticado em fevereiro de 2017 com fístula perianal (uma ferida que se forma entre o final do intestino e a pele do ânus, que provoca sintomas como dor, vermelhidão e sangramento) e precisou submeter-se a uma cirurgia.

Ele acreditou que iria conseguir fazer a cirurgia pelo SUS em janeiro de 2018, quando foi chamado. Ledo engano. Foi dispensado porque não havia anestesiologista. Como não havia perspectiva de realizar o procedimento, se endividou em empréstimos e, em março, fez no particular.

Para realizar exames de ressonância e colonoscopia anteriores à operação, sem ter de esperar por anos, gastou cerca de R$ 15 mil.

— Precisei fazer empréstimo e, com juros, a dívida chega a R$ 28 mil. Não posso mais pagar do meu bolso.

Após a cirurgia, iniciou a recuperação e , em agosto, procurou a secretaria de saúde de Palhoça para fazer a ressonância magnética com contraste. 

Foi aí que ele entrou numa fila de espera com perspectiva de ser atendido daqui a 32 anos. Hoje, Renato tem 38 anos de idade. 

Seguindo a previsão do SUS, ele seria chamado para fazer a ressonância quando já estivesse com 70 anos.

A fila de espera é confirmada pelo secretário municipal de Saúde de Palhoça, que explica que a procura por esse exame, considerado de média complexidade, é sete vezes maior do que a oferta:

— Temos uma cota mensal, hoje irrisória, de 21 por mês para Palhoça. Entram em média 150 por mês.

— Esse mês fizemos mutirão e realizamos, além dos 21, com recursos próprios, mais 100, e no mês que vem faremos mais 150, para reduzir essa fila. A grande dificuldade é que cai tudo sobre o município. A porta de entrada de qualquer exame é pelas nossas unidades de saúde.
— A procura cresce, e a oferta é insuficiente — admite.

Renato está afastado do emprego cuidando da própria saúde e sonhando em ser chamado para fazer a ressonância magnética e dar sequência ao seu tratamento, mas que não precise esperar 32 anos para isso.