Duas mulheres mortas e a triste história de famílias destruídas por feminicídio em SC

A triste história dos familiares que sofrem com a perda de mulheres vítimas de feminicídio. São mães, filhos e filhas, irmãos e irmãs, que tentam juntar forças para continuar após os brutais crimes.

Cida e Josi, ambas vítimas de feminicídio em Santa Catarina/Reprodução
Cida e Josi não se conheciam. Mas provaram do mesmo sentimento de florescer de novo quando largaram os companheiros, que as fizeram sofrer por muitos anos. Entretanto, eles não aceitaram a decisão delas.

São relatos muito parecidos nas duas histórias. Quanto antes a mulher, parentes ou amigos tivessem tomado uma atitude, o final poderia ter sido diferente.



Cida
No dia 8 de outubro, em Santo Amaro da Imperatriz, uma mulher ouviu gritos e saiu para a sacada em um prédio. Ela reconheceu o ex-cunhado saindo de uma clínica de fisioterapia. 
Desceu correndo e encontrou, lá dentro, a irmã caída. A irmã era Cida -Maria Aparecida de Pinho Fagundes.

A vítima e o ex tinham cinco filhos e estavam separados havia dois meses. A Polícia Civil acredita que o crime tenha sido motivado porque o ex  não aceitava o fim do relacionamento.

O homem segurou a vítima sobre uma maca e a atingiu com mais de 20 golpes na região das costelas e nas costas. Ele teria utilizado um canivete, que foi encontrado no local e entregue para perícia.
A Polícia Civil o prendeu em flagrante por feminicídio.

Canivete utilizado foi encontrado no local do crime/Divulgação
Elaine, uma sobrinha de Cida, assistiu a toda a reanimação da tia em um hospital e deu a notícia da morte para os seis filhos dela e para o restante da família, na sala de espera. Ela arranja forças para cuidar dos filhos da Cida, que ficaram sem a mãe e com o pai preso.



Um deles ainda não consegue voltar ao trabalho. O outro, acorda no meio da noite berrando pela mãe.

Josi

No dia 21 de setembro, em Biguaçu, uma família se divertia dentro de casa no final de mais uma sexta-feira. 

"Ele entrou e disse 'cadê a Josi?' e foi ali, já tirou a faca do bolso. Primeira facada que ele deu nela pegou no coração", disse Maria, mãe de Josiane Sebastiane Batista.

"Eu vi ele esfaqueando ela, eu vi ele matar ela na minha frente. As crianças dormindo, aí as crianças acordaram, elas viram também".
O homem atingiu a vítima, Josiane Sebastiane Batista, de 27 anos, com sete facadas.

Ex-marido de Josi foi preso quatro dias após o crime. Foto: Polícia Civil
Josiane morava com a mãe dela e os três filhos, de 4 anos, 5 anos e 9 anos. O menino mais velho foi atingido após tentar defender a mãe. 
A dona Maria saiu com o neto para o hospital já sabendo que a filha estava morta.

A mãe da vítima só sai do bairro para levar o neto, que viu tudo, no psicólogo ou no médico. O marido dela, e pai da Josi, precisa trabalhar. "Está arrasado, está bem para baixo, ele chora muito, tem dia que ele senta na mesa chora, chora", disse Maria.

"Eu não lavo louça, eu não limpo a casa, eu não faço nada, nada. A minha vontade é só estar na rua sentada no banco ou no portão. Parece que medo dele fugir da cadeia, dele sair", disse a mãe da vítima.

O ex-marido de Josiane foi preso quatro dias após o crime e conduzido para um presídio da região onde deverá aguardar o julgamento. O crime também é tratado como feminicídio.

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