Pesquisar neste site

"Aqueles que apontam o dedo para criticar talvez tenham algum interesse na questão"


Mais de 100 pessoas, entre pessoas da comunidade e funcionários do HSCC, se fizeram presentes na sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Canoinhas na noite de segunda-feira (19).

O motivo foi a participação na tribuna do presidente do conselho deliberativo, João Mário Grosskopf e o diretor administrativo do Hospital Santa Cruz de Canoinhas, Derby Fontana Neto, que apresentaram aos vereadores e comunidade a situação financeira atual do hospital.

Comunidade lotou o plenário da Câmara para ouvir o Presidente do Conselho Deliberativo e Diretor
Administrativo do Hospital Santa Cruz de Canoinhas
João Mário Grosskopf destacou as manifestações em redes sociais, muitas vezes equivocadas, e explicou que a administração hospitalar segue os ordenamentos jurídicos através de estatuto, explicando sobre o funcionamento e funções da equipe que atua no hospital.

Explicou ainda que nas reuniões realizadas com a prefeitura, para explicar a situação do hospital, foi solicitado a devolução dos serviços, pois não estavam em conformidade com a lei, sendo cobrados pela Promotoria, assim “tomamos a decisão de não mais renovar os três convênios após a aplicação da multa de R$ 500 mil que ainda estamos recorrendo”, e ainda explicou: “não estamos de portas fechadas para novos convênios, apenas gostaríamos que esses fossem assinados”.




O diretor administrativo do HSCC, Derby Fontana Neto explicou que quando o pedido foi feito a Câmara e prefeito municipal “já sabíamos como funciona o fluxo e a questão da lei para repasse”, explicou.

Fontana também lembrou sobre comentários maldosos feitos em redes sociais, dizendo que o hospital é “uma caixa preta”, o que deixou a equipe bastante surpresa “e até bastante magoados”.

Ele explicou que o hospital é uma das empresas mais fiscalizadas do país, tendo fiscalização para todos os setores. “Nós administramos uma mini-cidade, pois temos hotel, lavanderia, farmácia, oficina, almoxarifado, e ainda cuidamos da saúde dos que nos procuram”, desabafou.

Números

O hospital não tem fins lucrativos, e para manter a filantropia tem que prestar atendimento mínimo de 60% pelo SUS, e é atendido hoje cerca de 81%, sendo que a tabela de remuneração não é reajustada a cerca de 20 anos. 

Receitas e despesas do hospital também foram apresentados a comunidade. Fontana ainda fez um retrospecto da situação que levou o HSCC a chegar ao ponto de não ter condições de pagar o 13º salário de seus 250 funcionários neste ano. 

“Precisamos agora e sempre vamos precisar dessa parceria com a comunidade e o poder público. De cada R$ 100 gastos no HSCC, o SUS nos ressarce só de R$ 60”, exemplificou, citando, também, a omissão dos Municípios vizinhos que, aos poucos, foram deixando de ajudar o HSCC, restando hoje somente Canoinhas. 

Ao final, Derby apresentou um valor de R$ 250 mil que é necessário de aporte financeiro mensal que solicitam a prefeitura de Canoinhas. “Depois de tudo isso apresentado, estamos na iminência de atrasar o 13º salário dos nossos funcionários, pois estamos com dificuldade de fazer a folha de pagamento”, finalizou.

O que dizem os vereadores:

Coronel Mario Renato Erzinger (PR): " é necessário restabelecer a verdade real dos fatos referente a esse repasse. Saúde pública é, foi e será prioridade para qualquer gestor público. Todos os repasses para o HSCC foram sempre aprovados por unanimidade por essa Casa. 
O HSCC pediu R$ 500 mil e respondi ao ofício explicando que o destino dos recursos competia ao Executivo, mas infelizmente tem pessoas que distorcem a verdade real".

Vereadora Norma Pereira (PSDB): “Estamos todos imbuídos para que a causa do Hospital Santa Cruz seja novamente debatida. E tudo é importante: educação, infraestrutura... mas sem saúde não tem como fazer nada”. 

Paulinho Basílio (MDB): "a situação que o hospital se encontra não é culpa da gestão, mas sim, de vários fatores como o atraso dos repasses do Governo do Estado e uma série de outros fatores que fizeram a diretoria peça socorro ao município. Gostaria de saber qual seria o ideal de repasse do custeio para o hospital, e quando acontece o uso de outro município dentro do hospital como o ocorrido mas não citado a cidade, ele repassa algum valor ao hospital, como fica?”




Paulo Glinski (PSD): lembrou sobre o repasse do governo estadual, que está atrasado: “como está sua expectativa Derby quanto ao pagamento atrasado. Existe uma perspectiva de recebimento desse repasse atrasado? ”, comentou o vereador, sobre repasse em atraso que já ultrapassa os R$ 500 mil. Derby respondeu que por estar na transição de governo, a expectativa não é positiva, e conforme diversos contatos já realizados na Secretaria de Saúde do Estado, ainda não teve nenhuma resposta positiva sobre o repasse neste ano.

Telma Bley (MDB):
  "durante os 12 anos que fui gestora de saúde do município tive uma vasta experiência sobre os problemas enfrentados no hospital". Ela também lembrou que no final do ano passado a maternidade quase fechou. “Serviços não podem ser paralisados, porque coisas fatais podem acontecer com as famílias canoinhenses e de toda região”.

Célio Galeski (PR): "os vereadores não são contrários à aprovação para repasse de recursos ao hospital. Nós não podemos repassar recursos a nenhuma entidade, apenas aprovamos projetos de lei e indicações ao poder executivo”.

Vereador Chico Mineiro (PR): “No que depender de nós vereadores, vamos colaborar com a equipe do Hospital Santa Cruz”.

Wilmar Sudoski (PSD): “A dificuldade do hospital vem de muitos anos, e o recurso sempre é mais curto que as necessidades. Mas tenho certeza que esse problema terá a melhor solução a todos, e vamos atrás dos recursos do Estado que estão em atraso e ajudariam muito nosso hospital”.

O vice-prefeito Renato Pike (PR), presente à sessão, também manifestou-se: “Temos de achar uma solução e tenho certeza de que o prefeito vai resolver essa situação. O problema é que quando o povo vai para rede social reclamar não sabe que os R$ 500 mil foram tirados da infraestrutura e foram para o hospital, mas nenhum serviço deixará de ser prestado”, afirmou.

Rumores

Quanto aos rumores de que outra pessoa assumiria a direção do HSCC em 2019, João Mário Grosskopf foi enfático: “Dizem que outras pessoas vão assumir o HSCC a partir do ano que vem e que vão fazer uma limpa. Isso é jogar gasolina no fogo. Gente que desconhece o estatuto do HSCC”.

Paulinho Basílio:- "Aqueles que apontam o dedo para criticar, para dizer que esta errado, talvez tenham algum interesse nessa questão". 

Ouve-se um zum zum zum que tem alguém interessado, sim, em tomar o Hospital pra si. Não vou citar o nome do cidadão, mas  se for a pessoa que se tem falado por aí, ele tem é que ficar pelo menos 200 km longe do Hospital, porque onde foi só fez lambança”, concluiu o vereador.