A origem da ridente e faceira Santa Cruz de 'Canoinhas'

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Imagem de Santa Cruz de Canoinhas, em abril de 1916. Foto: Acervo da Fundação Cultural de Canoinhas
Em época distante (aproximadamente em 1847), comerciantes de Curitiba, em acordo com fazendeiros gaúchos, abriram uma estreita mas extensa picada, a qual, partindo de Rio Negro, seguia para o Rio Grande do Sul.

Combinaram os curitibanos com os vendedores gaúchos, um acampamento onde iam esperar os amigos sulinos com as reses (animais que são abatidos e cuja carne é usada na alimentação).
O local desse acampamento foi denominado pelos riograndenses de 'Curitibanos', nome que foi conservado até nossos dias, sendo atualmente o município de Curitibanos.

Na grande picada aberta, para transpor o grande rio, os curitibanos construíram minúsculas canoas, que só podiam transportam um homem. Quando se referiam a esse rio diziam "lá nas canoinhas".

E foi assim que ao grande rio foi dado o nome de Canoinhas. Denominação com que, muitos anos depois, foi batizada a povoação construída à margem do mesmo.

As "canoinhas" dos curitibanos transpunham o rio quase entre as nascentes, nas proximidades da Serra do Espigão.




Pelo Rio Canoinhas, aqui aportaram os primeiros colonizadores. Aproximadamente em 1892, subiram o rio em canoas vindas do Paraná, algumas pessoas destemidas, que chegaram até o lugar onde hoje se estende, faceira, a cidade de Canoinhas.

É possível que antes disso, já tivessem chegado ao local outros bandeirantes. Se isso sucedeu, na nada adiantou, pois das pessoas que vieram na expedição de 1892, alguém fixou residência no território então explorado: Francisco de Paula Pereira.

Em uma pequena barca à margem do rio, se instalou o iniciador da transformação de um sertão bravio em uma bonita e ridente cidade.

Aos poucos, novos companheiros a ele se aliaram, entre eles João Mariano da Luz, Manuel Ferreira de Lima, Camilo Carneiro, Manoel Gravi e Gustavo Waechter, este o primeiro comerciante do povoado.

No alto do morro vizinho, um visionário havia plantado uma grande cruz, feita de madeira lascada. Os povoadores construíram sobre ela uma capela.

Canoinhas em 1926. Foto: Acervo de Guerda Loeffler
Com o progresso que começava a dominar a nova localidade e seus arredores, o governo catarinense criou, em 1904, o Distrito de Santa Cruz de Canoinhas.

Foi nesse tempo que começou o povoado a ter algumas autoridades, sendo nomeado Delegado de Polícia, pelo governo barriga verde, o Capitão Roberto Elke,  juiz de paz o Sr. Miguel Pereira e na função de 1º escrivão, o Sr. João da Cruz Krailling.

O combate ao banditismo começou a ser feito com mais eficiência, principalmente no interior, onde abundava grande número de criminosos foragidos da justiça paranaense.

Pelo Coronel Vidal Ramos, que na época ocupava a suprema magistratura do estado, foi assinada a Lei nº 907 de 12 de setembro de 1911, desmembrando o Distrito de Canoinhas de Curitibanos e elevando a sede do município a Vila.

O município de Santa Cruz de Canoinhas, com entusiásticos festejos populares, foi então solenemente instalado, em 6 de dezembro de 1911, tendo como primeiro superintendente o Major Tomaz Vieira.

* Com informações de matéria publicada pelo Jornal Barriga Verde, de Canoinhas, em 25 de dezembro de 1937.