R$ 15 milhões foi o valor gasto só em 'cafezinho' para servidores públicos em SC

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O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), a Assembleia Legislativa do estado (Alesc) e o Governo Estadual pagaram nos últimos cinco anos R$ 15 milhões com açúcar, leite e café para consumo de servidores públicos no estado.
Com o valor, seria possível pagar o salário de 400 professores do Ensino Fundamental por um ano.

Construir escolas para mais de mil alunos. Manter por dez meses as UTIs pediátrica e neonatal do Hospital Infantil. Fazer 85 mil exames de raio-x, o mais procurado no estado. Tapar buracos de 187 mil metros quadrados de rodovias.

No estado, foram gastos R$ 2,4 milhões com 'cafezinho' só nesta ano. Ao todo, 100 mil quilos de café, 105 mil quilos de açúcar e 100 mil litros leite.




Café na Alesc

Considerando o custo por funcionário, quem mais gasta é a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). É como se a Casa tivesse pago R$ 50 mil mais todos os meses desse ano para cada pessoa que trabalha lá beber cafezinho.

Chocolate, mocaccino, cappuccino e chá. A distribuição é gratuita na Alesc. Assembleia paga R$ 20 mil por mês para alugar 60 máquinas. Há uma em cada gabinete e outras espalhadas por espaços onde passa o público.

A Casa informou que é aberta, promove e estimula a presença popular e, por isso, não vê imoralidade em fornecer café pra servidores e cidadãos que visitam seu prédio.

Café no Governo do Estado

A Secretaria de Administração compra café, leite e açúcar para quase todos os órgãos do Governo do Estado. São 78 locais que preveem o quanto precisam de cada item por ano para o governo se programar, e depois recebem conforme a necessidade.

O Fundo Penitenciário, vinculado à Secretaria de Justiça e Cidadania, informou que abastece os servidores e também os presos. Neste ano, foram quase 900 detentos em três presídios na Grande Florianópolis.

A Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola) explicou que é uma das maiores consumidoras dos itens porque tem colaboradores nos departamentos regionais, no terminal de grãos, em barreiras sanitárias e escritórios por todo estado.



Tribunal de Justiça

Das copas sai o café fresquinho para as térmicas nos corredores. É assim no prédio do Tribunal de Justiça da Capital e nas 111 comarcas de Santa Catarina.

O Judiciário ainda espalhou pelo estado 26 máquinas. O aluguel delas custa R$ 8,5 mil por mês. Ou, mais de R$ 100 mil por ano. Os custos totais com o cafezinho foram quase o dobro nos últimos anos.

O TJ gastou R$ 25 mil com duas mil xícaras e pires de porcelana personalizados e quase R$ 5 mil reais só com adoçante em 2013. Desde então, já comprou 167 cafeteiras, que custaram quase R$ 90 mil.

Especialista contestam

O presidente da Comissão Moralidade Pública da OAB-SC, Rogério da Silva, explica que é preciso bom senso. "Eu acredito que pode ter café sem que configure gasto excessivo. Acho que a questão não é fornecimento, mas quanto isso significa no gasto e impacto. E é isso que parece nebuloso", disse.

Ainda segundo o presidente, a população pode denunciar a situação. "O cidadão tem papel importantíssimo. Principalmente hoje, com rede social, a vigilância desse cidadão pode colaborar e muito pra que esse desperdício e situação de gastos supérfluos que ficam muitas vezes elevados".