João Amoêdo é o primeiro entrevistado da EBC

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O primeiro candidato à Presidência da República entrevistado pela Agência Brasil, TV Brasil e pela Rádio Nacional (veículos da Empresa Brasil de Comunicação-EBC), foi João Amoêdo (Partido Novo).

Amoêdo defendeu a reforma da Previdência com fixação de idade mínima em 65 anos, disse favorável à redução da maioridade penal para 16 anos, a privatização dos presídios e o emprego de tecnologia avançada nas fronteiras para rastreamento financeiro dos recursos oriundos do tráfico de drogas, armas e outros ilícitos.

Ele afirmou que pretende mudar o sistema educacional, invertendo a prioridade de investimentos do ensino superior para o ensino básico. Segundo ele, é preciso também mudar a política de reajuste do salário mínimo limitando à reposição conforme a inflação.




Amoêdo disse que pessoalmente é contra o aborto, salvo em casos previstos em lei e também entende que cabe ao Congresso Nacional tomar a decisão final sobre a descriminalização do procedimento.

A seguir, alguns trechos da entrevista de Amoêdo à EBC

Integração das polícias

Ele defendeu legislação mais rígida e maior integração das polícias, fiscalização de fronteiras e o “fechamento de ciclo” - quando as polícias deveriam atuar desde a repressão ao rastreamento de recursos financeiros dos criminosos. “No Brasil, temos essa separação da Polícia civil e da Polícia militar. Cada uma com tarefas diversas. E que deveriam ser complementares. A integração entre elas é muito ruim muita fraca, muito baixa. Isso compromete a investigação”.

Maioridade Penal

Ele disse que é favorável à redução da maioridade penal para 16 anos, pois argumentou que se o jovem pode votar também deve assumir responsabilidades criminalmente. Ao ser questionado sobre a concessão de indultos para condenados, respondeu que vê o Brasil “muito benevolente“ e promete ser “mais restritivo”. 

Segunda instância

Defendeu a aprovação da emenda constitucional que prevê a condenação após julgamento em segunda instância da Justiça. Na sua opinião, as medidas reduzem o “sentimento de impunidade no país”. 

SUS

Para o candidato, deve haver a formação de consórcios entre os municípios para atendimento da população por meio de parcerias com o Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta é reunir de cinco a sete municípios em parceria para que um hospital atenda a todos. Também propõe criar um vale-saúde, que dará recursos as pessoas para que paguem uma clínica popular ou um plano de saúde mais popular.

Descriminalização do aborto

Ele se disse pessoalmente contra o aborto, salvo em casos previstos em lei. “Entendo que a gente precisa seguir a decisão do Congresso porque ela irá representar a demanda da maioria da população brasileira”. Para o candidato, o governo deve investir na prevenção e educação.

Bolsa Família

Amoêdo disse que o programa Bolsa Família “tem um desenho interessante” e é a ação social que atinge a parcela mais pobre da população, obrigando a escolarização e ao custo baixo. Segundo ele, será preciso trabalhar mais a educação para criar “portas de saída” do Bolsa Família. “A gente tem que medir o sucesso pela quantidade de pessoas que saem e não pela quantidade das pessoas que entram”. Ele acrescentou que vai manter o programa caso eleito.

Educação

Para ele, é necessário “mudar os pesos” dos investimentos em educação, alertando que a União gasta mais com o ensino superior e menos com ensino básico. Segundo ele, atualmente, são investidos R$ 75 bilhões no ensino superior, e cerca de R$ 54 bilhões no fundamental. "A gente tem que inverter esse processo", disse.

Segundo ele, não haveria necessariamente redução do investimento na rede pública, mas se criaria uma "concorrência", obrigando a escola pública a ter mais eficiência. "Se uma boa parte migrasse [para escola privada], você precisaria de menos recursos na escola pública. A preocupação é sempre atender toda a população que precisa. Não gastar nenhum tostão a menos, mas você dá a possibilidade ao cidadão de escolher. E a escola pública para receber os recursos e os alunos teria que trazer eficiência".

Emprego e impostos


Ele defendeu que o Estado crie condições básicas para a geração de empregos, pela iniciativa privada, para os desempregados como também para os desalentados, pessoas que nem procuram mais trabalho.

Segundo o candidato, é preciso garantir a "liberdade econômica" no país, para que as pessoas empreendam mais, o que passa pelo equilíbrio das contas públicas, estimular a concorrência no setor financeiro para reduzir o custo do crédito, simplificar os tributos (juntar IPI, ICMS, Pis, Cofins e ISS em um único tributo IVA) e facilitar a abertura e fechamento de empresas e abrir a economia brasileira. De acordo com Amoêdo, é fundamental “dar segurança jurídica” para dar “um horizonte para que as pessoas possam investir”.

"Juntando tudo isso, a gente vai criar um ambiente propício ao empreendedorismo e à geração de empregos".



Salário mínimo

Admitiu que teme “soluções artificiais” para reajustar o salário mínimo desvinculado da produtividade. Reconheceu que o “salário mínimo é muito baixo”. Defendeu reajuste com base na inflação. Para o candidato, o valor pode aumentar com o aperfeiçoamento da produtividade da força de trabalho, estagnada desde de 1994.

"O que me preocupa, às vezes, é que a a gente começa a subir muito salário mínimo e você empurra muitas pessoas para a informalidade, especialmente as pessoas que querem treinamento. Por outro lado, o salário mínimo tem um valor muito baixo para a pessoa se manter. O problema não é o salário mínimo, é a falta de produtividade do trabalhador brasileiro", disse.

Para o candidato, o salário mínimo não deveria ser usado como indexador dos benefícios previdenciários, por exemplo. 

Previdência

Defendeu que a Reforma da Previdência “tem que ser feita”. Segundo ele, uma reforma simples que estabeleça a idade mínima de 65 anos para se aposentar, limite de contribuição para a aposentadoria integral, desvincular a indexação do salário mínimo para inflação e o fim da distinção entre os sistemas que pagam os funcionários públicos e os empregados dos regimes privados. Ele promete avaliar aumento da contribuição previdenciária dos trabalhadores rurais.
Redução de Ministérios

Amoêdo defendeu a redução dos ministérios para no máximo 12 pastas. Atualmente, o país tem 24 ministérios e cinco pastas com status de ministério. E defendeu também a privatização das empresas estatais.

O candidato também defendeu número menor de senadores e deputados federais: 54 senadores e 342 deputados federais. 

Considerações finais

Amoêdo aproveitou um minuto para detalhar que a criação do Partido Novo teve o objetivo de construir um Brasil diferente, seguro, simples e livre, sem privilégios para alguns. “Trazendo gente nova que vai dar exemplo, cortando mordomias.”

Fonte: Agência Brasil