Cientistas decodificam o genoma do trigo, alimento que tem mais proteína do que a carne

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Campo de trigo

Cientistas anunciaram nesta quinta-feira (16), ter decodificado pela primeira vez o genoma completo do trigo, um avanço que especialistas afirmam que irá ajudar a alimentar a crescente população mundial.

O estudo completo levou 13 anos, juntando mais de 200 cientistas de 73 instituições de 20 países, um consórcio, o International Wheat Genome Sequencing Consortium, que publicou o artigo na revista Science.

O trigo alimenta mais de um terço da população do planeta, fornecendo mais proteína do que a carne para a dieta humana e respondendo por cerca de um quinto das calorias consumidas pelas pessoas.

Porém, é mais difícil de cultivar em clima quente e se espera que estas condições desafiadoras se intensifiquem à medida que o planeta esquenta com as mudanças climáticas.




Especialistas afirmam que o mundo precisa de variedades e cultivos mais resistentes, capazes de se desenvolver com menos água em um clima mais quente.

Com a descodificação da sequência do genoma agora concluída, os agricultores poderão ter grãos com mais rendimento e qualidade, mais resistentes a doenças fúngicas e mais tolerância a stress abiótico (influências do meio envolvente).

Mapear um genoma abrangente do trigo foi um "desafio imenso" porque o trigo para pão contém cinco vezes mais genes que um ser humano, destacou o texto, publicado na revista científica Science.

"A produtividade do trigo precisa aumentar em 1,6% ao ano para atender às demandas de uma população mundial estimada em 9,6 bilhões de pessoas em 2050", destacou o texto.

O genoma do trigo contém 107.891 genes e seu genoma complexo contém 16 bilhões de pares de base, os blocos que formam o DNA.
A título de comparação, o ser humano tem cerca de 20.000 genes e três bilhões de pares de base.