Abelhas adquirem gosto por pesticida como humanos se viciam em nicotina

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Abelhas se viciam em pesticidas

As abelhas se viciam em alimentos ricos em pesticidas de uma maneira muito parecida com a dependência de nicotina em fumantes, segundo um estudo realizado pelo Imperial College London, no Reino Unido.

De acordo com a pesquisa, quanto mais produtos contaminados as abelhas consomem, mais elas querem. 
A descoberta mostra que há um risco de contaminação por pesticidas em néctares coletados por elas e, por consequência, também no mel.




No teste, a equipe de pesquisadores britânicos ofereceu duas soluções de açúcar às abelhas, sendo que uma delas continha pesticidas neonicotinoides. Os cientistas descobriram que, ao longo do tempo, as abelhas preferiam o alimento com o pesticida.

Os neonicotinoides têm como alvo os receptores nervosos em insetos. É uma consequência semelhante aos receptores atingidos pela nicotina em mamíferos.

Os pesticidas neonicotinoides são quimicamente similares à nicotina, o composto viciante do tabaco.

Os cientistas acompanharam dez colônias de abelhas ao longo de dez dias. Cada colônia tinha acesso à sua própria área de busca por alimentos, na qual os pesquisadores haviam montado distribuidores de açúcar.

A ideia do estudo era saber se as abelhas poderiam detectar os pesticidas e, com isso, aprender a evitá-los e ir atrás dos alimentos oferecidos que não estavam contaminados.

"Embora inicialmente parecesse que as abelhas evitavam os alimentos contaminados, descobrimos que, com o tempo, os zangões aumentaram suas visitas a alimentos carregados de pesticidas".




O uso de alguns neonicotinoides está proibido na União Europeia justamente por causa das evidências de que são prejudiciais para as abelhas.

Uso de pesticidas no Brasil

Em nenhuma região do mundo está garantida a existência de mel livre de pesticidas.

Um estudo publicado na revista "Science" em 2017, encontrou neonicotinoides, agrotóxicos à base de nicotina, em 75% das amostras coletadas em todos os continentes (com exceção da Antártida) e em inúmeras ilhas isoladas.

Entre eles, foi identificada a presença de inseticidas em amostras de mel provenientes de quatro localidades do Brasil.

Das amostras de mel brasileiro com as substâncias, amostras da região sul eram as que tinham as concentrações mais elevadas.




De acordo com o estudo, as concentrações detectadas dos inseticidas estão dentro de limites permitidos para consumo humano na Europa. 

O problema, contudo, é que eles são extremamente prejudiciais para polinizadores, principalmente as abelhas. Usados na agricultura, os neonicotinoides afetam a reprodução e a vida desses insetos.