Empresa catarinense usava soda cáustica e água oxigenada para adulterar leite

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Laticínios Mondai adicionava produtos químicos impróprios para consumo no leite. Foto: Eduardo Cristófoli
A Justiça condenou 16 pessoas ligadas ao Laticínios Mondaí, que atua no município de Mondaí, no oeste catarinense, por adulteração do leite adicionando soda cáustica e água oxigenada ao produto.
A sentença é de sexta-feira (27) e foi divulgada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) nesta terça (31).

Eles foram investigados durante a Operação Leite Adulterado II, deflagrada em 2014. Em agosto aquele ano, lotes de leite foram recolhidos em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul por suspeita de adulteração.

Vídeos divulgados em 2014 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) de Chapecó mostraram produtos sendo adicionados no tanque de caminhões carregados com leite in natura, no Oeste catarinense e noroeste do Rio Grande do Sul.

O Ministério Público de Santa Catarina afirmou que, durante seis anos, o leite que chegava ao consumidor era adulterado com adição de soda cáustica e água oxigenada. O objetivo era mascarar a má qualidade e dar maior durabilidade ao produto.
De acordo com a investigação diretores, gerentes, transportadores e laboratoristas formaram uma organização criminosa que adicionava os produtos químicos impróprios para o consumo.

De acordo com o Ministério Público, a investigação criminal apurou, ainda, que essas empresas vendiam o leite cru in natura para seis outras empresas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. 
Elas são citadas pelo Ministério Público. No entanto, apesar da compra, não há comprovação de que as indústrias que compraram os produtos adulterados estejam envolvidas com a fraude.

As maiores penas, de 16 anos, um mês e 23 dias de detenção, em regime fechado, foram dadas aos sócios-proprietários Irineu Otto Bornholdt e Vilson Claudenir Jesuíno Freire.
Os nomes de todos os réus podem ser conferidos no site do Ministério Público .

Eles foram enquadrados nos crimes de organização criminosa, adulteração de produto alimentício, crime contra as relações de consumo e falsidade ideológica.

As condenações somadas chegam a 125 anos de prisão. Diariamente eram processados cerca de 400 mil litros de leite na empresa de laticínios.