Pesquisar neste site

Canoinhas diz não ter condições de receber imigrantes venezuelanos

Canoinhas foi uma das cidades catarinense que já enviou ofício à Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho e Educação dizendo não ter condições de receber imigrantes venezuelanos.

O Governo Federal, através da Secretaria, consultou as prefeituras  para que esses estrangeiros sejam acolhidos em Santa Catarina.
Conforme a Casa Civil da Presidência da República, a intenção é viabilizar 90 vagas em abrigos catarinenses, com ajuda de custo de R$ 400,00 por mês a cada venezuelano amparado.

Além de Canoinhas, os municípios de Chapecó, Tubarão, Florianópolis, Criciúma, Blumenau, Balneário Camboriú, Lontras, Palhoça, Garuva, Jaraguá do Sul e Joinville, também disseram que não têm como acolher venezuelanos.

Mulheres, crianças, jovens e idosos lotam as ruas e praças de Roraima, porta de entrada no país.
As prefeituras afirmaram que são sensíveis à situação dos imigrantes, mas que não têm como oferecer acolhimento apropriado.

Fuga em massa 

Na Venezuela, faltam alimentos nos supermercados, produtos de higiene e remédios. A inflação se encontra acima de 800% ao ano, aumentando o preço de insumos básicos, quando esses conseguem ser encontrados.

A pobreza hoje atinge 70% das famílias venezuelanas, e a popularidade do presidente Nicolas Maduro está em 8,7%.  A violência também estourou, levando a capital Caracas ao topo do ranking das cidades mais violentas do planeta.
A situação caótica provocou uma forte onda migratória de venezuelanos miseráveis para os países vizinhos da América Latina, principalmente o Brasil. Cerca de 50 mil venezuelanos já entraram no país. O fluxo migratório começou em 2015, bateu recordes em 2017 e está aumentando em 2018.

Cerca de 800 venezuelanos chegam por dia ao Brasil.
Uns chegam sozinhos, outros em grupo. Por dia, mais de 800 venezuelanos tentam permissão pra ficar no Brasil. São famílias inteiras em busca de comida. Quem vem para o Brasil tenta sobreviver com esmolas e pequenos serviços.
“A vida nas ruas do Brasil ainda é melhor do que continuar na Venezuela, porque aqui tem comida”, diz o venezuelano Luiz Gonzalez, de 36 anos. Sem dinheiro, assim como muitos outros, ele dorme no chão da praça ocupada por milhares venezuelanos recém-chegados a Roraima, porta de entrada para os imigrantes.
"Viver na Venezuela é como um pesadelo. Você não tem esperança para o futuro, porque a luta diária é pela comida, pela sobrevivência. Você só consegue pensar em não morrer."


A crise na política

A Venezuela se encontra politicamente dividida. De um lado, estão os que defendem as políticas socialistas do ex-presidente Hugo Chávez. Do outro, os opositores, que esperam há 18 anos o fim do poder de um mesmo partido. 

As crises econômica e política se unem quando uma dá forças para a outra. Enquanto o governo prioriza a manutenção do poder, a oposição se faz valer da recessão para obter ganhos políticos. E nessa briga por poder, o povo é quem sofre.

Protestos contra o governo de Nicolas Maduro já causaram a morte de mais de uma centena de pessoas.
No Brasil, o Governo Federal tenta encontrar soluções para o intenso fluxo de imigrantes que continuam cruzando diariamente a fronteira do país.

* A lista de municípios que dizem não ter condições de receber imigrantes foi obtido via LAI - Lei de Acesso à Informação.