Brasil! uma potência agrícola em que milhões passam fome

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Ainda que o Brasil seja uma potência agrícola, com safras recordes ano a ano, a fome é uma velha conhecida.

Em um país em que a expectativa é de que os ganhos de produtividade façam com que até 2027 o País alcance safras de 300 milhões de toneladas de grãos, saber que quase 12 milhões de brasileiros passam fome enquanto cresce a obesidade infantil nas camadas média e alta da pirâmide social é uma contradição vergonhosa.

No Brasil de hoje, uma em cada vinte pessoas termina o dia sem ter conseguido comer o mínimo necessário. Vão dormir com fome e acordar sem qualquer esperança de uma refeição satisfatória.




Esse cenário assustador devolve o Brasil ao Mapa da Fome, elaborado desde 1990 pela FAO, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. A entidade faz análises por países e regiões, propondo soluções ao problema da insegurança alimentar. Desde 2014, o Brasil estava fora desse mapa.

Dados recentes divulgados por ONGs a partir de índices do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), indicam que a fome voltou a crescer, atingindo 11,7 milhões de brasileiros, o que perfaz 5,6% da população.

 A subnutrição em um país recordista na exportação de alimentos é uma contradição vergonhosa. Foto: Marcia Foletto 
A Fundação ABRINQ estimou que a desnutrição infantil crônica e severa deva atingir 17,6% das crianças brasileiras. Iniciativas solidárias têm sido empreendidas para impedir que o número cresça.

Após uma década, a Campanha Natal Sem Fome foi reativada pela ONG Ação da Cidadania para atender as novas levas de necessitados, arrecadando 900 toneladas de alimentos. A ONG foi criada em 1993, pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, para combater a fome e a miséria.

Desamparados

O perfil estatístico do pobre, de acordo com os dados do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e da Síntese dos Indicadores Sociais (SIS 2017), ambos do IBGE, indica que dois tipos de brasileiros em idade ativa estão mais sujeitos à falta crônica de alimentos.

A mais emblemática é a mulher preta ou parda, entre 30 e 40 anos, com alguns filhos, moradora da zona rural de um estado do Norte ou Nordeste e cujo marido foi procurar emprego em uma grande cidade, deixando-a desamparada.

O outro é o homem ou mulher, chefe de família, residente em cidade grande que convive com a falta crônica de emprego. Estes, e principalmente seus filhos, são as grandes vítimas desse quadro.


O diretor-geral da FAO José Graziano, ex-coordenador do Programa Fome Zero e ex-ministro extraordinário para o Combate à Fome, defende a adoção de um firme programa de segurança alimentar no Brasil como forma de minimizar um problema que pode ser considerado tanto crônico como estrutural.

Graziano escreveu um artigo publicado no jornal “Valor Econômico” no qual afirma que os governos, principalmente da América Latina, não podem se dar ao luxo de esperar pelo próximo ciclo de expansão global para lidar adequadamente com a fome e a desnutrição: “Seria apenas uma agenda de boas intenções, não fosse esse também um teste de sobrevivência da democracia e das lideranças da região”.

Para refletir: o seu candidato tem algum programa ou ação a ser desenvolvida no combate à fome e desemprego no país?

Fonte:  IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação