Morte do cantor sertanejo Leandro completa 20 anos

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A morte do cantor sertanejo Leandro, completou 20 anos neste sábado (23). Vítima de um câncer raro, ele morreu aos 36 anos em São Paulo, em 23 de junho de 1998, dia em que o Brasil jogava pela Copa do Mundo da França.

Nascido em Goianápolis e ex-plantador de tomates, o músico alcançou o sucesso formando dupla sertaneja com o irmão, Leonardo.

Luiz José da Costa, como foi batizado, nasceu em 15 de agosto de 1961 e foi criado com os outros sete irmãos na cidade do interior. A cidade é conhecida como a capital brasileira do tomate.
Leandro morreu aos 36 anos, vítima de um câncer raro/Divulgação
O cantor é descrito por pessoas próximas como um homem de hábitos simples, extrovertido com os íntimos e muito reservado com quem ainda não conhecia.

Amigos lembram que quando não estava com um violão, Leandro tinha gostos simples, como pescar e jogar baralho. Ele torcia para o São Paulo, mas gostava mesmo era de Copa do Mundo.

Leandro e Leonardo

A dupla lançou o primeiro disco em 1984 e vendia os exemplares nos bares onde se apresentava. 

A dupla em 1989, quando estourou a música 'Entre tapas e beijos'/Reprodução
Os irmãos começaram a ficar conhecidos dois anos depois, com a gravação da música Contradições, mas o estouro ocorreu em 1989 no lançamento da canção Entre Tapas e Beijos.

No ano seguinte, Leandro e Leonardo gravaram a música que mais projetou a carreira da dupla: Pense em Mim. A canção começou a ser criada com uma batida de reggae, depois migrou para o estilo country antes de ser gravada como sertanejo.

A assessora da dupla desde o início da carreira, Ede Cury lembra que Leandro era muito brincalhão com quem tinha intimidade. No entanto, para os palcos e para se relacionar com os fãs, era muito tímido.

O câncer

No auge da carreira, em 1998, Leandro foi passar uns dias com amigos em sua fazenda no Tocantins e se queixou de dores no peito. Depois de uma semana, durante uma visita à cidade natal, o cantor voltou a se sentir mal durante um jogo de truco.

Preocupado com a saúde, ele foi atrás de saber o que era e, em 21 de abril daquele ano, Leandro recebeu o diagnóstico de tumor de Askin. S

Segundo a família, na época, ele era o sexto caso da doença, em adultos, no mundo. O cantor, então, foi para São Paulo, onde passou pelo tratamento.

Durante um dos jogos do Brasil na Copa de 1998, que Leandro acompanhava do apartamento na capital paulista, ele pediu à assessora Ede Cury uma bandeira. 


Ela conta que o levou um manto verde e amarelo que tinha em casa porque não teria como comprar uma bandeira na rua e entregar a ele sem esterilizar.
Momentos depois, ele apareceu na sacada, já careca e envolto no tecido.

No dia 23 de junho de 1998, quando os brasileiros se preparavam para assistir à seleção brasileira enfrentar a Noruega, pela Copa do Mundo, na França, foi divulgada a notícia da morte do cantor. 

O Brasil parou para acompanhar o despedida do ídolo, que, após uma semana internado, não resistiu ao tumor.

A família

Dona Carmem Divina da Silva, mãe de Leandro, Leonardo e mais seis filhos, se manteve forte nos últimos 20 anos, mas conta que sempre que chega o mês de junho, tudo muda.

Ela relata que, nesta época do ano, lembra muito do sofrimento que toda a família passou durante a descoberta da doença, o tratamento e a morte de Leandro.

Uma das formas que encontrou de se manter perto do filho foi implantando a Casa de Apoio São Luiz, uma instituição filantrópica que oferece hospedagem, transporte, alimentação e serviço de emergência a pacientes com câncer, em Aparecida de Goiânia.

Leonardo

Desde a morte de Leandro, Leonardo não se juntou a nenhum outro cantor para voltar a formar uma dupla. Ele apostou na carreira solo e afirma que, nos shows, o Leandro “se faz presente” através dos fãs. “O público é minha segunda voz e será para sempre depois da perda de meu irmão”.

A última canção que gravaram juntos foi Um Sonhador. O disco foi lançado depois da morte de Leandro. 


No último dia 17, o sertanejo publicou nas redes sociais uma foto lembrando os 20 anos da morte do irmão. No post, ele escreveu: “Obrigado meu BR! 20 anos de saudade! #NãoAprendiDizerAdeus”. 

Na foto, ele segura uma bandeira verde e amarela que recebeu de fãs também com o nome da música. Reprodução/Instagram
Leonardo lembra do irmão como figura de inspiração e companheiro. Os 15 anos de estrada juntos nunca saíram da memória e acompanham o cantor até hoje.

Sinto muita falta dele no estúdio e principalmente no dia a dia. Até hoje o procuro no palco”.

Leandro segue vivo no coração e nas composições do irmão. “Lembro dele todos os dias, nas músicas que eu canto hoje. Gosto de cantar as músicas daquela época, não tem como esquecer. O tempo dá uma amenizada, mas não dá para esquecer jamais".

Fonte: TV Anhanguera/Goiás