Decisão histórica: Argentina legaliza aborto livre até o 4º mês de gestação

Desde o retorno da democracia à Argentina, em 1983, o projeto de lei a favor da descriminalização do aborto foi apresentado sete vezes no Congresso, mas nunca havia conseguido chegar ao plenário para votação.

Sob a presidência de Cristina Kirchner, a Argentina foi o primeiro país latino-americano a aprovar o casamento homossexual, em 2010, e a ter uma lei de identidade de gênero, em 2012.

Mas Kirchner sempre fechou posição contra o aborto. Seu sucessor, Mauricio Macri, atual presidente do país, também se opõe.
No entanto, a pressão social e a necessidade de desviar a atenção da situação econômica incerta influíram na decisão presidencial de apoiar o debate.

Desenho circula na internet em protesto a legalização do aborto na Argentina.
Na última quinta-feira (14), a Câmara de Deputados da Argentina aprovou um projeto de lei que prevê a legalização do aborto livre até a 14ª semana de gestação (4º mês de gestação).

Atualmente, o aborto no país já é permitido em caso de estupro ou risco para a vida da mulher.

Eram necessários 128 votos para que o projeto fosse aprovado ou vetado. Com 129 votos a favor e 125 votos contra e uma abstenção, o projeto passará agora ao Senado.

A decisão dividiu opiniões. Veja a seguir algumas sobre o assunto publicadas nas redes sociais:

A Argentina, um estado declaradamente católico aprovou a descriminalização do aborto.Triste.
A Argentina antes de começar a Copa já marcou um golaço. O Congresso acabou de aprovar a lei que descriminaliza o aborto. A luta das mulheres foi linda.
Que Deus proteja as crianças da Argentina.
O aborto acabou de ser legalizado no parlamento argentino. A matança será enorme. Deus proverá.
O presidente Mauricio Macri se declara pró-vida e contra a lei, mas reafirmou diversas vezes que, se a legislação passasse pelo Congresso não a vetaria.

Em Buenos Aires, feministas comemoram aprovação da lei que permite o aborto/Associated Press
Caso a medida passe pelo crivo da segunda Casa, a Argentina se tornará mais um dos países latino-americanos (ao lado de Uruguai e Cuba) que permitem o aborto em qualquer circunstância e apenas por decisão da mãe, nos primeiros estágios da gravidez (varia entre 8 e 14 semanas de gestação).

As opiniões sobre o assunto se dividem. Qual a sua?