Se temos tanto petróleo por que a gasolina é tão cara?

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O problema da alta dos combustíveis não está relacionado somente na carga tributária. O nome do jogo é política!

A situação dos aumentos na bomba de combustível vivenciados por nós brasileiros, tem origem na mudança da política de preços operada pela Petrobras, é o que diz nota técnica divulgada semana passada pelo DIEESE.

Em 2016 a direção da empresa, que tem como presidente Pedro Parente, optou por alinhar os preços domésticos dos derivados de petróleo à flutuação do preço internacional do barril. Essas medidas, adotadas pelo governo Temer, abrem espaço para o aumento da participação de empresas privadas no setor e a entrada de capital estrangeiro.

Assim, a partir de outubro de 2016, os preços começaram a sofrer variações mais frequentes e, a partir de julho de 2017, as correções passaram a ser diárias.

Plataforma de extração de petróleo - Bacia de Campos/RJ.
A Petrobras, mesmo batendo recordes de produção, está aumentando a exportação de petróleo cru e diminuindo a utilização de suas refinarias, o que está afetando também a política de preços final ao consumidor.

"As refinarias da empresa possuem capacidade de refinar 2,4 milhões de barris/dia, mas estão utilizando apenas 68% dessa capacidade", denuncia a nota técnica.

O Brasil tem petróleo, refino e distribuição.  É absolutamente desnecessário o aumento das importações de derivados.

Para o Dieese, a solução para reverter este quadro é recuar da política de paridade (semelhança) internacional nos preços dos derivados e aumentar o volume de petróleo refinado em refinarias próprias, que tem capacidade de refinar 2,4 milhões de barris/dia e atender a demanda interna (com cerca de 2,2 milhões/dia).

Efeitos da política internacional dos preços dos derivados 

A decisão da Petrobras de praticar a paridade internacional desencadeou uma série de
efeitos sobre a economia brasileira, afetando diretamente os consumidores e também os setores da indústria que utilizam os derivados de petróleo para produzir:

1) O país se torna mais vulnerável aos efeitos externos, reduzindo a capacidade de intervenção sobre os preços. Isso acontece quando o preço do barril sobe muito (como está acontecendo agora) ou mesmo quando há uma intempérie em países fornecedores de petróleo ou derivados.


2) O país passa a comprar no mercado internacional um bem que poderia produzir
internamente.
 

A produção de petróleo no Brasil, em abril de 2018, foi de 2,6 milhões de barris/dia (sem considerar 673 mil barris de gás natural). Neste mesmo mês (maio/2018), as refinarias da Petrobras processaram 1,6 milhão de barris/dia e o consumo interno de derivados ficou em 2,2 milhões de barris/dia.

Assim, mesmo produzindo 400 mil barris de petróleo a mais do que o necessário para atender ao consumo nacional, o país importou cerca de 600 mil barris de derivados/dia.
Isso aconteceu porque a Petrobras está aumentando a exportação de petróleo cru e ao mesmo tempo reduzindo a utilização de suas refinarias.
As refinarias da empresa possuem capacidade de refinar 2,4 milhões de barris/dia, mas estão utilizando apenas 68% dessa capacidade.
Além disso, parte dessa produção de derivados está sendo direcionada para atender ao mercado externo.

3) Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), hoje existem 392 empresas autorizadas a realizar importações de derivados no país. Dessas empresas, 129 (33%) foram cadastradas depois de 2016.

Diante de todos esses fatos, resta uma simples pergunta: se o Brasil tem grandes reservas e consegue, hoje, extrair maior quantidade de barris que o total do consumo nacional, por que o petróleo tem que ser vendido a um preço tão mais alto que o custo de produção?

Fonte: Nota técnica emitida pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em 26/05/2018