O que diz a imprensa internacional a respeito da greve no Brasil?

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A grande mídia brasileira (leia-se Rede Globo) inegavelmente só mostra o que o Governo quer mostrar. Mas o que diz a mídia internacional a respeito da greve dos motoristas no Brasil?

Fizemos um apanhado de notícias publicadas por alguns dos maiores jornais internacionais e trazemos aqui um resumo das informações que o mundo está recebendo sobre a paralização dos caminhoneiros em nosso país.

The New York Times

"O governo brasileiro disse na quinta-feira que foi fechado um acordo com caminhoneiros para suspender uma greve de quatro dias que provocou escassez de combustível, reduziu as entregas de alimentos e ameaçou os vôos das companhias aéreas.

Esperava-se que o acordo levasse os motoristas a desmantelar rapidamente barreiras nas estradas e ruas.
"O governo acha que os caminhoneiros são analfabetos e não podem contar", disse Vicente Reis, caminhoneiro há 20 anos. "Em 2018, já houve um aumento de cerca de 25% nos preços dos combustíveis. E agora eles querem um congelamento de 15 dias com uma redução de 10%. Os caminhoneiros sabem contar, senhor presidente."

Los Angeles Times:


"O Brasil depende muito de caminhões para o transporte de cargas, com sua pequena rede de ferrovias usada principalmente para o transporte de matérias-primas. 
A greve acontece quando o país luta para se recuperar de uma das suas piores recessões, com o desemprego se recusando a cair e sua moeda em um declínio acentuado".

"A economia do país sofreu um impacto desde que os caminhões começaram a ser estacionados na segunda-feira (21).
Há 1 milhão de caminhoneiros autônomos no Brasil. A greve, que entrou em seu quinto dia na sexta-feira, está paralizando o país".




Financial Times:

"Uma desvalorização da moeda brasileira, o real, para uma baixa de dois anos em relação ao dólar, juntamente com o aumento dos preços do petróleo , está elevando os custos de combustível. Os preços do diesel no Brasil aumentaram quase 30% desde 1º de março, enquanto os preços da gasolina subiram cerca de 27,5%".

"O aumento nos preços dos combustíveis também ocorre porque a Petrobras implementou, este ano, uma política de repassar os aumentos internacionais de preços diretamente aos consumidores brasileiros.  A empresa está tentando reduzir uma das maiores cargas de dívidas corporativas do mundo depois de estar no centro de um escândalo de corrupção política nos governos anteriores.

“O aumento no custo do diesel levou os caminhoneiros ao limite. Eles não têm opção".

The Guardian 

"O presidente conservador do Brasil, Michel Temer , ordenou que o exército e a polícia federal limpassem as estradas bloqueadas por caminhoneiros em greve, depois que um protesto pelo aumento dos preços dos combustíveis entrou em seu quinto dia. Os bloqueios paralisaram grande parte da economia do país".

"Os protestos começaram sobre os preços dos combustíveis, mas foram ainda mais alimentados pela raiva generalizada em relação a repetidos escândalos envolvendo políticos proeminentes - incluindo o próprio Temer".

"Antes do acordo de ontem, alguns congressistas estavam fugindo de Brasília para retornar aos seus estados de origem antes que o combustível acabasse. Eunício Oliveira, o presidente do Senado foi forçado a voltar para Brasília após uma onda de críticas".

The Washington Post

A economia do Brasil funciona principalmente no transporte rodoviário. Os caminhoneiros reclamam que os preços crescentes do diesel reduziram seus rendimentos e estão exigindo alívio do governo. Os preços do diesel estão sendo pressionados pelo aumento dos preços mundiais do petróleo e pela queda do real.

BBC News

"A greve paralisou o país, com filas em postos de combustível, aeroportos sem combustível e prateleiras de supermercados vazias.
As exportações também foram afetadas, pois as principais rodovias continuam bloqueadas.

Os estoques de açúcar foram reduzidos para "quase zero" nos principais portos. O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar.
Toda a fabricação de automóveis no Brasil foi interrompida, disse a associação de fabricantes de automóveis Anfavea.

A petroleira estatal Petrobras adotou uma política pró-mercado de rastreamento dos preços internacionais do petróleo depois que o presidente Michel Temer assumiu o cargo após o impeachment de Dilma Rousseff em 2016.
Isso fez com que os preços quase dobrassem".

Nesta sexta-feira (25), o que mais repercutiu foi o anúncio do uso das Forças Armadas contra os caminhoneiros.
O Governo quer que os grevistas cumpram o acordo, em contra ponto os caminhoneiros espera primeiro que o Governo cumpra sua parte.

A União Nacional dos Caminhoneiros e o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas não assinaram o acordo e afirmam que continuam parados até o Senado votar projeto de lei que cria nova política de preços para o transporte rodoviário. 

A Associação Brasileira dos Caminhoneiros tampouco assinou o acordo e diz que só encerra a greve quando as medidas anunciadas forem publicadas no Diário Oficial da União.