Nos anos 70, greve de caminhoneiros provocou a derrubada e suicídio do presidente do Chile

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Em 1972, a crise do petróleo fez explodirem os preços dos combustíveis. No Chile, greve de caminhoneiros durou 26 dias e custou cerca de 200 milhões de dólares de prejuízo, na época.

Greves de caminhoneiros são notórias em outros países, como na França, por justamente ameaçar toda a cadeia de distribuição de um país.
No Brasil, onde quase 80% dos serviços de transporte de carga utilizados são rodoviários, o exemplo chileno merece ser lembrado.

No dia 09 outubro de 1972, os caminhoneiros chilenos paralisaram o país pela primeira vez, protestando contra a criação de uma autoridade nacional de transporte, e ativando o gatilho do que seria uma crise trabalhista no país.

Salvador Allende Gossens foi um médico e político chileno. Governou seu país de 1970 a 1973, quando foi deposto por um golpe de estado liderado por seu chefe das Forças Armadas, Augusto Pinochet.
Estimativas do governo apontam que aquela paralisação inicial custou ao país 200 milhões de dólares na época. Hoje, esse valor seria de mais de 1,2 bilhão de dólares. O governo resolveu a situação sentando para conversar com os caminhoneiros no final de outubro, mas já era tarde.

O presidente Salvador Allende, havia sido eleito em 1970 tornando-se o primeiro político socialista eleito democraticamente na América Latina.

Um ano depois, em agosto de 1973, 40.000 caminhoneiros voltariam a paralisar o país, ao lado de outros 210.000 donos de pequenos negócios e empresários.
A instabilidade e a crise econômica levariam o governo de Allende a ser deposto pelo exército e pela força nacional em 11 de setembro de 1973, numa tomada de poder que incluiria o bombardeio do palácio presidencial de La Moneda e o suicídio de Allende, em um dos episódios mais sangrentos da democracia chilena.

Bombardeio no Palácio La Moneda, 11 de setembro de 1973.
O suicídio de Allende foi confirmado em 2011, após exumação do corpo, a pedido da família e de entidades de Direitos Humanos.
Até então, restavam dúvidas se o presidente havia mesmo cometido suicídio, como foi informado à época de sua morte, ou se ele havia sido vítima dos disparos dos militares que participaram do ataque ao palácio.
"Podemos garantir que trata-se de uma morte violenta e suicida, do ponto de vista médico legal, e sobre esse fato não temos mais nenhuma dúvida", disse o médico legista espanhol Fernando Etcheverría.
Em agosto de 1973, nos momentos derradeiros do governo, a paralisação dos caminhoneiros foi tão catastrófica para a economia que o ministério do Planejamento Nacional emitiu um comunicado sobre as consequências econômicas da paralisação. 
A agricultura está seriamente ameaça, a indústria desacelerou e o suprimento de commodities atingiu um ponto crítico”, afirmava o relatório, depois de 23 dias da segunda greve de caminhoneiros.

“Esta é uma greve política, com o objetivo de derrubar o governo com a ajuda do imperialismo”, afirmou Gonzalo Martner, então ministro da pasta. A segunda paralisação foi mais intensa porque o Chile ainda não havia sequer se recuperado integralmente da que havia acontecido um ano antes.
A greve dos caminhoneiros no Chile foi orquestrada pelo EUA. No golpe militar de Estado contra o presidente Salvador Allende, o então general do Exército, Augusto Pinochet liderou o ataque contra o Palácio Presidencial.
O golpe levou Pinochet ao poder e 17 anos de ditadura se instalou no país.
O governo de Allende chegou ao ponto de destacar 500 policiais e três tanques rumo a um galpão onde estavam cerca de mil caminhões para tentar apreender os veículos e forçar os caminhoneiros a retornar ao trabalho. 

Na sexta-feira (25) o presidente Michel Temer convocou o uso das forças de segurança para desobstruir estradas em todo o país. Até o momento, não há nenhuma certeza sobre a efetividade do novo penultimato do governo.