Não acabou. É só uma trégua por 60 dias, dizem caminhoneiros

Por força judicial, os motoristas que participavam da mobilização em três pontos na região de Canoinhas, anunciaram a desmobilização, nesta quarta-feira (30).
Conforme decisão judicial, a multa diária para os que não obedecessem a ordem, seria de R$ 100.000,00 (cem mil reais) às pessoas jurídicas rés e de R$ 5.000,00 (mil reais) às pessoas físicas.


Veja trechos da trechos da Ação Civil Pública, assinada pelo Juiz Fernando de Castro Faria, da 2ª Vara da Fazenda Pública.

"A pauta grevista dos caminhoneiros parece ser legítima em diversos pontos, tanto assim que atendidos pelo Governo Federal. O que se vê daqui para frente, a persistir o movimento, vitorioso, é um quadro caótico não desejado".

"As manifestações são bem-vindas, mas a mais contundente deve ocorrer nas urnas, e estamos a poucos meses desse novo encontro, na esperança de um consenso mínimo que impeça o caminhar do País em direção ao caos e a buscas por soluções milagrosas, que não acontecerão".

"Pedidos de “Intervenção Militar”, com fundamento no artigo 1º, da CRFB/88, estão fora de propósito, pois o que se pretende é reafirmar os pilares da Democracia, dentre eles as liberdades (inclusive a de fazer greve) conquistadas ao longo de séculos de luta por toda a humanidade. Nem mesmo os militares, em sua maioria, pretendem reviver os tristes anos de nosso último período ditatorial (1964-1985)".



Fim da paralisação

Os líderes do movimento na região, durante coletiva para a imprensa, primeiramente agradeceram todo o apoio recebido da população de Canoinhas e localidades do interior, durante os nove dias de greve em Canoinhas.

Francisco Burgardt, um dos líderes, lamentou que a população (não de Canoinhas, mas a nível nacional) infelizmente não teve a sensibilidade de estar junto aos caminhoneiros da maneira que deveria estar.
"Mas nós entendemos que a partir de agora, a sociedade ia ser penalizada se continuássemos esse movimento. Não conseguimos tudo o que queríamos, mas saímos de cabeça erguida, mais unidos e mais fortalecidos", afirmou Burgardt.

Os caminhoneiros afirmaram também, que a desmobilização dos pontos da greve é somente uma trégua durante os próximos sessenta dias. "Se após esse período a situação voltar a ficar insustentável, a gente se mobiliza de novo".

Hino Nacional marcou o fim do movimento em Canoinhas/Reprodução
O fim da paralisação em Canoinhas foi marcado por um momento emocionante: manifestantes e população entoaram o Hino Nacional, em frente a uma grande Bandeira do Brasil.