Vítima de acidente não consegue atendimento médico em Major Vieira

Duas ocorrências chamaram a atenção para a questão da saúde pública em atendimentos em Unidade Básica de Saúde (UBS), Hospital e Unidade de Pronto Atendimento (UPA), neste fim de semana.

A primeira delas aconteceu em Major Vieira, na sexta-feira (02). O Corpo de Bombeiros do município foi acionado para atender um homem, E.P.L. de 43 anos, que havia caído do telhado da empresa onde trabalha, de uma altura aproximada de cinco metros.


Segundo informaçãos dos bombeiros que atenderam a ocorrência, havia suspeita de fratura em membro superior esquerdo (úmero) e suspeita de fratura na pelve. A vítima também referia dores no quadril bem como no braço esquerdo, e apresentava escoriações no rosto.

Após realizados os procedimentos padrões pelos bombeiros, E.P.L foi conduzido até o posto de saúde de Major Vieira, local indicado para condução de vítimas até as 17:00 horas.

Porém, ao chegar ao posto por volta das 16h30, foram informados que não havia médico.
Conduziram então a vítima ao hospital São Lucas, onde os bombeiros foram informados de que também não havia médico.

Diante da gravidade do paciente, também da falta de médicos nos dois locais de referência da cidade de Major Vieira e por solicitação dos familiares e após solicitar as devidas permissões, tanto para o comando do Corpo de Bombeiros, quanto a UPA de Canoinhas, a vítima foi conduzida até a Unidade de Pronto Atendimento de Canoinhas para receber atendimento médico.

Caçador

Na UPA do município de Caçador, neste domingo (04), a situação era de revolta.
Com informações e um vídeo divulgado por um site local, dezenas de pessoas, entre elas idosos e crianças vomitando e passando mal, esperavam há horas por atendimento.
Um homem chegou com parada cardíaca, não resistiu e foi a óbito.

Imagens mostram a UPA de Caçador lotada neste domingo,4. Reprodução
Segundo o secretário de Saúde do município, Ademar Schmitz, dois médicos, que estavam de plantão, realizaram os procedimentos por cerca de 1 hora, mas não foi possível a recuperação. Ele teve um infarto fulminante.

Durante o período em que os médicos tentavam socorrer o paciente, o atendimento aos demais foi paralizado, o que prolongou ainda mais o tempo de espera.

A população não culpa os profissionais que lá estavam atendendo, com uma demanda três vezes maior que o normal, mas sim a falta de mais médicos, para atender com mais rapidez.


A situação crítica, em Major Vieira e em Caçador, não é muito diferente de outros municípios e do resto do Brasil.
Mostra a realidade de um país desestabilizado onde as políticas públicas são incoerentes e desrespeitam a sociedade.

Quais são as causas da falta de médicos?


A falta de profissionais especializados afeta, sobretudo, as populações de cidades do interior. Isso acontece por uma série de motivos: infraestrutura precária nos hospitais, desvios de verbas para novas contratações, fraudes em concursos públicos, má gestão, corrupção, etc.

Em geral, não há um interesse grande dos médicos recém-formados de morar em cidades menores. 
A rede pública das grandes cidades, apesar de também apresentar problemas, acaba sendo mais atrativa para quem deseja ingressar em uma carreira vinculada aos estados e municípios.

Além disso, muitos profissionais concursados deixam o serviço público após constatarem a realidade da rotina de trabalho (onde falta tudo).
Há uma cota significativa de médicos que preferem atuar apenas na rede particular. 
Ou seja, perde-se todos os anos profissionais qualificados que poderiam estar trabalhando para um SUS mais eficiente.

Até que a crise política e de gestão seja resolvida, a previsão é que o povo continue sofrendo com a falta de médicos na rede pública.

Fontes: Corpo de Bombeiros de Major Vieira/Caçador de Notícias e Caçador Online