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Dia Internacional da Mulher: o que vamos comemorar mesmo?

O mundo comemora neste 8 de março o Dia da Mulher. A data é percebida por muitos como um momento festivo, no qual se distribuem flores e mensagens que ressaltam a importância da mulher na sociedade. Mas nós, mulheres brasileiras, vamos comemorar o que mesmo?

Talvez comemorar que a mulher continua ganhando um salário menor que o homem, continua sendo uma mão de obra barata, instruída (afinal, conforme pesquisas, mulheres têm mais anos de estudos que os homens) e de autoestima reduzida por uma cultura misógina, que lucra muito pregando inseguranças às mulheres (a ‘ditadura da beleza’ instituiu dois grandes medos para dominar o público feminino: o medo de envelhecer e de engordar, e isso gera altos lucros às ‘indústrias da beleza’). 

Cultura misógina diz que mulheres devem obediência aos homens, que pertencem a eles e que valem menos que eles.


Ou talvez comemorar a alta taxa de feminicídio no Brasil? 
Feminicídio ( Lei 13.104/15) é o assassinato de uma mulher pela condição de ser mulher. Suas motivações mais usuais são o ódio, o desprezo ou o sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres. É crime hediondo

 A ‘Lei Maria da Penha’ (Lei 11340/06), foi uma conquista para as mulheres, já que surgiu como forma de prevenir e também de dar assistência e proteção às vítimas de violência doméstica e familiar, assim como penalizar aqueles que cometem tal crime.

Mas em nome da preservação da família, ainda ouvimos discursos que nega à mulher o direito a denunciar violência. 


Não são poucas as mulheres que ouvem “tem certeza que quer continuar a processar o pai de seus filhos?” e insinuam que o processo traumatizará as crianças. 

Em nome da “harmonia familiar” espera-se que a mulher abra mão de seus direitos e viva em um clima de terror e violência, o que revela um significado bastante estranho para o termo “harmonia”...

Os números da violência

Estatísticas mostram que 4.473 mulheres foram vítimas de homicídio em 2017, um crescimento de 6,5% em relação a 2016, quando 4.201 mulheres foram assassinadas. 

Isso significa que uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil, taxa de 4,3 mortes para cada grupo de 100 mil pessoas do sexo feminino.

"Vale armas"

E como acabar com essa violência? Um candidato a presidência do Brasil tem a receita para reduzir o número de mulheres vítimas de violência doméstica: armá-las.
Sim, estimulá-las a comprar armas para se defender dentro de casa de possíveis ataques dos maridos ou companheiros.
Segundo o candidato, a Lei do Feminicídio é "uma palhaçada". 

Ele só esqueceu de dizer onde as mulheres vítimas de violência, a maioria delas de pouca ou nenhuma renda, vão encontrar dinheiro para comprar armas. 

Com o salário mínimo de miséria, que é no país? Uau! Isso sim é uma ideia genial. 

Vamos deixar de alimentar nossos filhos, de pagar contas, de prover o sustento de nossa casa e vamos combater o crime, com mais crime: Vamos todas comprar armas! Logicamente com o "vale armas" que o governo terá que criar, não é?
Querem tirar as poucas leis que nos protegem para deixar-nos à própria sorte.

Dia Internacional da Mulher

O reconhecimento de que existe sim uma cultura que coloca a mulher como inferior ao homem, do ódio contra tudo que é feminino e a influência dessa cultura na existência de alguns crimes, faz parte do processo de conscientização de que ela tem que mudar.

Hoje, e todos os outros dias do ano devem ser dias de luta e enfrentamento às pequenas violências cotidianas tão incorporadas em nossa sociedade: desde o menosprezo a capacidades das mulheres até as diferenças salariais, do assédio sexual no espaço público até o assédio moral no ambiente de trabalho, das pequenas violências simbólicas à violência física.

Deixemos para comemorar o dia em que nenhuma mulher for assassinada apenas por ser mulher!

Sobre a autora: "Agradeço imensamente ao site Canoinhas Online por ser tão receptivo em receber essa matéria para publicação. Algumas partes do texto são de pesquisa na internet e outras são autorais.
Meu nome é Letícia, tenho 36 anos, dois filhos e uma triste história de vida. Sofri muita violência doméstica e hoje luto para me reerguer. 
Já fui espancada enquanto amamentava meu fiho. Sofri calada por anos.
A ajuda veio de onde eu menos esperava: a Lei.
Hoje eu já consigo sorrir!

Apesar das palavras duras do texto, desejo à você mulher, um dia feliz. E que Deus nos proteja!"