Escuridão, falta de manutenção e imprudência na Serra Dona Francisca

No km 16,7 da SC-418, na Serra Dona Francisca, é possível ver cacos de vidro, latarias, calotas, pedaços de pneu e até objetos pessoais, que mostram o resultado de inúmeros acidentes ocorridos em um dos trechos mais perigosos da rodovia.
Só neste anos já ocorreram ao menos três acidentes no local.

O problema de iluminação na Serra Dona Francisca decorre do furto de
fios de cobre há mais de um ano. Imagem: Cleber Gomes/DC
Ali não tem radar fixo e é considerado o principal ponto de ocorrências da rodovia, que só no ano passado registrou 429 acidentes que resultaram em seis mortes ao longo dos seus 68 quilômetros. 

Além desta, pelo menos quatro curvas acentuadas fazem parte do trajeto entre os quilômetros 12 e 17, entre elas, a do acidente com um ônibus de turismo que vitimou 51 pessoas há quase três anos. Somente oito pessoas se salvaram.

De acordo com a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), além da primeira curva, a curva do km 15,9 (após o Mirante); a do Bambu no km 15,1; e a curva do km 13,1, imediatamente posterior ao local da queda do coletivo, concentram a maioria dos acidentes.

No km 16,7 é possível ver várias partes de veículos, resultado de acidentes no local/Arquivo
A imprudência dos motoristas, chuva, neblina e óleo na pista são apontadas pela PMRv como as principais causas para o alto número de acidentes na via. 

Os registros são justamente na descida sentido a Joinville, onde a velocidade máxima permitida é de 30 km/h. As condições da via, no entanto, também influenciam para os acidentes, segundo a percepção de motoristas e moradores.

O tema insegurança voltou a fazer parte das conversas dos usuários da SC-418 em janeiro, depois que o carro de um casal despencou ribanceira por 150 metros. O acidente foi no dia 6 de janeiro e as duas vítimas esperaram 36 horas por socorro. Horas após o resgate, outro carro caiu no mesmo lugar.

Durante a noite, a falta de iluminação é o principal problema enfrentado por quem faz o trajeto. Até mesmo para quem conhece o local desde a inauguração da pavimentação, a sensação de insegurança é frequente.

Há cerca de 20 anos o espaço era todo iluminado. Hoje apenas dois postes acesos.

Acidente ocorrido em 2015 que vitimou 51 pessoas/Arquivo
A dona de um comércio de caldo de cana na serra, comenta que, depois dos acidentes, a escuridão da estrada se tornou assunto recorrente entre os clientes. O "breu noturno" também pode ter contribuído para o aumento das saídas de pista na região nos últimos meses.

"Hoje, a sensação é de abandono. As canaletas eram limpas e o mato está tomando conta, a água do córrego está correndo pelo asfalto e enfrentamos a escuridão. Percebemos que há mais acidentes, pois os motoristas não enxergam a proximidade da curva e, às vezes, não têm nem tempo de frear", diz a comerciante.

Outro problema são os buracos, que, para quem não conhece a estrada, oferecem risco maior de cair ou de bater (o veículo), como já aconteceu.
De dia a viagem é mais tranquila. As condições da estrada melhoraram depois do acidente com o ônibus e, ao menos durante o dia, a viagem apresenta poucos riscos.

Incomoda ainda a invasão da vegetação sobre os guard rails em frente às placas de sinalização, que encobre avisos importantes aos motoristas, especialmente na descida rumo a Joinville. Em outros trechos ocorrem trepidações e a pintura do asfalto enfrenta desgaste.

Manutenção da rodovia

De acordo com o superintendente regional do Deinfra, Ademir Machado, o problema de iluminação na Serra Dona Francisca decorre do furto de fios de cobre há mais de um ano. A dificuldade de monitoramento é apontada como um dos empecilhos para a conservação das lâmpadas.

Ele explica que para revitalizar a energia são necessários ao menos R$ 100 mil, o que ainda não ocorreu por falta de recursos financeiros. A intenção é de que, quando reposto, o cabeamento seja substituído por outro material, porém ainda não há previsão.

Quanto à construção de um novo mirante, o Deinfra lamenta a impossibilidade de reconstrução no momento, também por não dispor do dinheiro necessário.

O Deinfra informa que aguarda liberação de verba para a manutenção
 da rodovia. Imagem: Cleber Gomes/DC
A pintura dos trechos onde há desgaste da sinalização e a reposição dos guard-rails também estão previstas mediante repasse de verba.

Quanto ao desgaste da pista, a agência destacou que possui recursos limitados para as operações tapa-buracos, distribuídos ao longo de 180 quilômetros de rodovias, mas que as manutenções estão em andamento.

O governo conta ainda com a expectativa de que até o segundo semestre de 2018 o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) lance o edital de privatização do modal que inclui a SC-418.

Já para o motorista, a orientação é de que revise o veículo e mantenha a atenção e velocidade moderada e compatível com a sinalização da via, além de não realizar ultrapassagens proibidas. Também deve-se utilizar a luz baixa durante o tráfego diurno e não conduzir o veículo sob cansaço, efeito de medicamentos ou de álcool.

Na descida da serra, é indicado utilizar sempre o freio motor e não deslocar-se com excesso de carga.
DC/ Especial