Vigilância Epidemiológica reforça importância da imunização contra a febre amarela

Entre os dias 1º e 27 de janeiro de 2018, foram notificados nove casos suspeitos de febre amarela em Santa Catarina. Desses, um foi confirmado por meio de exame laboratorial e oito permanecem em investigação, aguardando resultado de exames. 
Nenhum dos casos suspeitos tinha sido vacinado contra febre amarela. 

O caso confirmado é de uma paciente residente em Gaspar, com histórico de viagem para Mairiporã/SP, que apresentou sintomas no dia 9 de janeiro e evoluiu para óbito no dia 17 do mesmo mês. Este é o primeiro caso de febre amarela importada de SC. O óbito de Lajeado Grande e os demais casos seguem sendo investigados.

A bióloga da gerência de Saúde de Canoinhas, Cristina Brandes Grosskopf,  orienta a população sobre mitos e verdades sobre a doença, bem também como as orientações para vacinação da população, pois a região de Canoinhas – os sete municípios atendidos pela gerência de Saúde, que são Bela vista do Toldo, Canoinhas, Irineópolis, Major Vieira, Matos Costa, Porto União e Três Barras, são áreas de recomendação para vacinação.

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por vírus amarílico ou vírus de febre amarela.
Pode ser de curta duração ou evoluir de forma grave, podendo levar à morte. 



Transmitida pela picada de fêmeas de mosquitos infectados com o vírus, a doença não possui tratamento específico, sendo apenas sintomática, com cuidadosa assistência ao paciente em ambiente hospitalar. A vacina é a única forma de prevenção e está disponível gratuitamente na rede pública de todo país.

A doença não é contagiosa, podendo ser contraída apenas pela picada do mosquito infectado com o vírus.

Quem perdeu o cartão de vacinação deve procurar o serviço de saúde que frequenta e tentar resgatar o histórico. Caso não seja possível, para as áreas de recomendação de vacina, indica-se que pessoas a partir dos 5 anos de idade que nunca tenham sido vacinadas ou estejam sem comprovante de vacinação sejam imunizadas contra febre amarela.

Contraindicação

A vacina não deve ser tomada por pessoas que se encontram nas situações abaixo:
- Crianças menores de 9 meses de idade;
- Mulheres amamentando crianças menores de 6 meses de idade;
- Pessoas com alergia grave ao ovo,
- Pessoas que vivem com HIV e que têm contagem de células CD4 menor que 350;
- Pessoas em tratamento com quimioterapia/radioterapia;
- Pessoas portadoras de doenças autoimunes;
- Pessoas submetidas a tratamento com imunossupressores (que diminuem a defesa do corpo).

Para os casos abaixo, é necessário que a pessoa seja avaliada por um profissional antes de tomar a vacina. Nestes casos, é necessário medir os riscos e benefícios da vacinação:

- Pacientes com imunodeficiência primária ou adquirida;
- Indivíduos com imunossupressão secundária à doença ou terapias;
- Imunossupressoras (quimioterapia, radioterapia, corticoides em doses elevadas);
- Pacientes em uso de medicações anti-metabólicas ou medicamentos modificadores do curso da doença Infliximabe, Etanercepte, Golimumabe, Certolizumabe, Abatacept, Belimumabe, Ustequinumabe, Canaquinumabe, Tocilizumabe, Ritoximabe);
- Transplantados e pacientes com doença oncológica, em quimioterapia;
- Indivíduos que apresentaram reação de hipersensibilidade grave ou doença neurológica após dose prévia da vacina;
- Indivíduos com reação alérgica grave ao ovo;
- Pacientes com história pregressa de doença do timo (miastenia gravis, timoma).

Medidas de proteção para pessoas com contraindicação de vacina

Indica-se o uso de repelente de insetos, devendo ser aplicado em toda área de pele exposta, respeitando os intervalos orientados pelos fabricantes e após contato com a água. 

Para crianças entre seis meses e dois anos de idade, gestantes e para aplicação em tecidos, há formulações próprias no mercado. É importante proteger a maior extensão possível da pele através do uso de roupas compridas (blusas e calças), meias e sapatos fechados. 
O uso de roupas claras facilita na identificação de mosquitos e permite que eles sejam mortos antes de picarem o indivíduo.

Passar o maior tempo em ambientes com portas e janelas protegidos por telas mosquiteiras, dormir em ambientes com mosquiteiros devidamente arrumados para não permitir a entrada de mosquitos (abas de abertura sobrepostas e barras inferiores embaixo o colchão) e uso de repelentes ambientais (sprays, pastilhas e líquidos em equipamentos elétricos) no quarto de dormir também são indicados.

Crianças menores de 6 meses de idade não podem receber a vacina e nem usar repelentes de aplicação direta na pele, por isso, devem ser mantidas o tempo todo sob mosquiteiros e/ou em ambiente protegido por telas.