Paranaenses presos no Egito por tráfico de drogas esperam por expulsão do país

Presos desde 2015, no Egito, por tráfico de drogas, César de Melo e André Vitor Guimarães dos Santos, esperam que sejam expulsos do país para cumprir a pena no Brasil.

O tráfico de drogas é considerado um crime grave no país e as leis previstas são rígidas. Os condenados por acusações de drogas, normalmente passam o resto de sua vida na prisão, sem possibilidade de liberdade condicional ou perdão. Casos mais graves podem levar à pena de morte. 

César de Melo, de 26 anos, foi preso em agosto de 2015 depois de sair de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, onde morava, e desembarcar no Aeroporto Internacional do Cairo com 2 kg de cocaína na bagagem.

Em outubro de 2017, ele foi condenado a 25 anos de prisão. A família de César aguarda agora a avaliação de um pedido de reconsideração da sentença feito à Justiça egípcia.

Outra solicitação, que deve ser analisada pelo governo, é a de expulsão do país, permitindo que ele cumpra o restante da pena no Brasil, onde é mais branda. “Aqui, com metade do tempo da condenação ele já poderia cumprir progredir para o regime semiaberto ou aberto”, explica o advogado Valdecy Longonio de Oliveira. Nova audiência está marcada para o dia 8 de março.

Ainda aguardando julgamento, André Vitor Guimarães dos Santos, de 28 anos, foi preso em maio de 2015 ao desembarcar no Egito com 3 kg de cocaína também na bagagem. Na época, trabalhava como mototaxista.

Cesar e André foram pegos entrando com cocaína no país/Arquivo pessoal
Dolores Guimarães, mãe de André, diz que não sabia que o filho viajaria e que só soube da viagem quando recebeu um telefonema da embaixada brasileira no Egito.

Outro rapaz, Lucas Stormoski de 20 anos, morador de Foz do Iguaçu, também está preso no Egito. Lucas foi detido pela polícia local ao desembarcar no aeroporto do Cairo, capital egípcia. Com ele, as autoridades encontraram mais de três quilos de cocaína.

O jovem saiu de Foz do Iguaçu, passou por São Paulo, pela Etiópia e seguiu para o Egito. "Nunca passei por isso, sempre trabalhei, sempre estudei, mas uma oferta do nada chega lá em casa e eu não resisti. Estava precisando de dinheiro, como todo mundo precisa de dinheiro", disse.
No Egito, os brasileiros são acompanhados por advogados da embaixada brasileira no país e por defensores públicos locais. Roupas e alimentos não são fornecidos pelo presídio.

Quem pode, faz alguns serviços como o de lavar roupas de outros presos, que os pagam. Outros recebem ajuda de voluntários.

Só para relembrar, em 2015, os brasileiros Rodrigo Gularte de 42 anos e Marco Archer Cardoso Moreira de 53, foram executados na Indonésia, por um pelotão de fuzilamento, também pelo crime de tráfico de drogas. A Indonésia pune o tráfico de drogas com pena de morte.