Governa sanciona lei para produção e venda de queijo artesanal em Santa Catarina

Os queijos de leite cru são alimentos extremamente importantes para milhares de famílias de produtores no Brasil e em todo o mundo.

Em Santa Catarina não é diferente. Muitas famílias trabalham na produção de queijo artesanal, mas a lei não permitia a venda de queijos artesanais de leite cru no Estado, exceto o serrano.

Mas a partir desta quarta-feira (17), esta condição mudou. O governador Raimundo Colombo sancionou a lei nº 17.486, do queijo artesanal. Na prática, ela permitirá que a produção e a venda deste tipo de queijo saia da ilegalidade.


Pesquisadores e produtores temiam que variedades tradicionais trazidas por imigrantes, como o Kochkäse, desaparecessem por falta de incentivo à produção. Cerca de seis mil agricultores familiares catarinenses devem ser beneficiados com a medida.

O Estado já é um campeão quando se fala em qualidade dos queijos. Os produtos catarinenses ficaram na terceira posição no 3º Prêmio Queijo Brasil realizado em São Paulo, em outubro do ano passado.

Só que das 29 variedades, 17 não tinham a venda formalizada e legalizada em SC, como o Kochkäse, produzido há gerações no Vale do Itajaí.


Afinal, comer queijo de leite cru é perigoso? 

Conforme explica o professor do departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da UFSC Juliano Lindner, o leite não pasteurizado está sujeito à proliferação de bactérias, inclusive patogênicas. 

São microrganismos potencialmente danosos para a saúde humana,  que podem causar infecção e intoxicação alimentares, por exemplo. 
Por isso, a pasteurização, desenvolvida em meados do século 19, foi um marco no combate a várias doenças transmitidas pelo leite e seus derivados como brucelose e tuberculose.

Comer o queijo de leite cru, no entanto, é diferente de beber o leite. Se produzido de forma adequada, diz o professor, cumprindo pré-requisitos de higiene e processos corretos, as bactérias ácido-lácticas que serão dominantes na maturação evitam que as variedades prejudiciais se multipliquem e atinjam níveis não seguros para consumo. 

Essas bactérias boas têm outra função: são as responsáveis pela variedade de sabores, texturas e odores da iguaria pelo mundo.