Você sabe como os peritos descobrem a causa da morte de uma pessoa?

Medicina Legal é uma ciência que busca explicar a causa da morte, correlacionando o fato ao óbito. O médico legista identifica causas de natureza externa, como crimes e acidentes.

Em caso de mortes por causas naturais ou ocasionadas por doenças, o corpo vai para o SVO (Serviço de Verificação de Óbito).

Afinal, o exame no cadáver é necrópsia ou necropsia? Ou é autópsia
Sabe qual é o primeiro sentido que os dicionários dão para autópsia? O óbvio: "Exame de si mesmo" ("Aurélio"); "Exame, inspeção de si próprio" ("Houaiss").




Como os mortos não se examinam, o termo próprio é necropsia,  sem acento, de acordo com o "Aurélio", o "Houaiss" e o "Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa", da Academia Brasileira de Letras.

Muitos referem-se e esse exame como autópsia, mas o correto é necropsia. 
Como é feito a necropsia:

1. Preparação
Após o reconhecimento feito por familiares, o corpo é identificado com o número do RG ou do boletim de ocorrência e são coletadas as impressões digitais. As roupas e os projéteis são encaminhados para exames balísticos. O corpo é pesado e lavado com água e sabão.

O exame começa com a análise externa do corpo. Médico e auxiliar procuram furos de bala, lesões e até sinais que identificam o morto, como uma tatuagem ou uma cicatriz. 
Todos os detalhes são anotados e farão parte de um documento emitido pelo IML.
A Machado-B Cinzel de crânio-C Agulha-D Pinça-E Tesoura-F Martelo com gancho-G Bisturi-H Talhador de costela-I Serra para osso.
Imagem: 
Gustavo Angimahtz, Mirella Nascimento e Renata Miwa
2. Cortes
É preciso abrir crânio, tórax e abdome. A primeira incisão é no crânio, com uma serra no couro cabeludo.
A tampa do crânio é retirada mas o cérebro só pode ser arrancado se todos os nervos que o conectam ao corpo são cortados – entre eles, os nervos ópticos, ligados aos olhos.
O próximo corte, para acesso a tórax e abdome, vai da altura do pescoço ao púbis, em forma de Y (os cortes em T e I são menos usados, pois deixam marcas no pescoço).

Os órgãos agredidos que podem ajudar na descoberta da causa da morte são retirados e examinados – como um coração esfaqueado ou o estômago, no caso de envenenamento.
É feita tanto uma análise geral quanto microscópica e os resultados são combinados no relatório final.

3. Órgãos
Cérebro, coração, pulmões, estômago, pâncreas e outros órgãos são pesados, medidos e examinados. 
Um pulmão mais pesado, por exemplo, pode estar cheio de água e indicar afogamento. Pontos vermelhos sugerem asfixia. Massa encefálica espalhada é sinal de que ocorreu fratura no crânio, provavelmente por algum trauma na cabeça, como uma pancada.
Órgãos pálidos revelam hemorragia, pois a irrigação sanguínea foi comprometida.

4. Na barriga
Depois de analisados, os órgãos são inseridos na abdome. Nada é colocado como antes, mas “jogado” dentro do corpo e costurado com uma linha grossa. 
Por ser muito mole, não é possível recolocar o cérebro na cabeça, pois ele escorreria pela fenda aberta no crânio.

O processo inteiro, da chegada à liberação do corpo, dura de quatro a oito horas. A necropsia leva entre duas e três horas. Ao fim do exame, o IML emite uma Declaração de Óbito, com a identificação e o motivo da morte.
Com esse documento, a família consegue retirar a Certidão de Óbito em um cartório.

Fonte: Revista Superinteressante e Mundo estranho