Polícia Federal descobre golpe bilionário aplicado por quadrilha e pastores evangélicos

A Polícia Federal deflagou a operação denominada Ouro de Ofir, onde identificou a atuação de pastores evangélicos para beneficiar uma organização criminosa investigada por golpes bilionários que atingiram pelo menos 25 mil pessoas em todo o País.

Nome da operação: Segundo a Polícia Federal, Ouro de Ofir é baseado em uma cidade mitológica da qual seria proveniente um ouro de maior qualidade e beleza. Tal cidade nunca foi localizada e nem o metal precioso dela oriundo.
Bolsas com dinheiro encontradas na operação. PF/Divulgação
O grupo que prometia lucros estratosféricos às vítimas em negócios fictícios envolvendo ouro “do tempo do Império” e antigas “letras do Tesouro Nacional”.

O golpe era fomentado e legitimado com documentos falsos do Banco Central do Brasil, onde fingiam reunião com executivos do banco para passar credibilidade aos investidores, que tinham promessa de lucro de 1000%.

Relógios apreendidos na operação Ouro de Ofir, em Campo Grande, MS Imagem: PF/Divulgação
“A característica principal da fraude está em atingir a fé das pessoas e na sua crença em um enriquecimento rápido e legítimo, levando-as a crer, inclusive, que tal mecanismo seria um ‘presente de Deus aos fiéis’, ou seja, trazendo a fé religiosa para o centro da fraude.

A maneira mais prática de explicar isso talvez seja a crença de que contra a fé não há fatos nem argumentos.

Muitas vítimas não estão interessadas em entender, pensar ou se informar – só estão interessadas em acreditar. E é exatamente neste ponto que a fraude tomou proporções inimagináveis e ganhou território nos mais diversos Estados da Federação”, afirma o delegado Guilherme Guimarães Farias.

Policiais com malotes de apreensão. Ao fundo, três veículos apreendidos. Tudo na operação Ofir, em Campo Grande, MS Imagem: Alexandre Cabral/ TV Morena
O esquema era o mesmo: em troca de quantias de, no mínimo, R$ 1 mil, eram prometidos às vítimas grandes lucros: R$ 1 milhão de reais a cada R$ 1 mil investidos. Em ambos os casos, as pessoas nunca receberam o que foi prometido. Há quem já tenha dado mais de R$ 30 mil ao grupo.

De acordo com a Polícia Federal, abaixo dos mentores dos esquemas, estão pastores evangélicos, chamados de “corretores”, que ficam a cargo de cooptar vítimas e inseri-las em grupos nas redes sociais, e escriturários, que fraudavam documentos.

Os grupos faziam uso de redes sociais, como Facebook e, principalmente, Whatsapp, com mensagens do tipo: ‘vocês tem que acreditar’; ‘vocês foram os escolhidos’; ‘aguardem que a bênção virá”, tudo como forma de manipulação mental e técnicas aparentemente programada de PNL (Programação Neurolinguística) e Controle da Mente, para despertar a cobiça e a esperança, sempre renovada a cada semana, de se receber milhões de reais”, dizem os investigadores.

Dinheiro apreendido em um dos endereços da operação Ofir, em Campo Grande, MS
Imagem: PF/Divulgação
Até agora três pessoas foram presas, e foram apreendidos diversos relógios, carros de luxo, armas de fogo, R$ 1 milhão em dinheiro e aproximadamente 200 quilos de pedras preciosas.

Os suspeitos presos vão responder por crimes contra o mercado financeiro nacional e por organização criminosa, mas que dependendo da atuação de cada um deles no grupo poderão ser indiciados também por estelionato, falsificação de documento público e falsidade ideológica.

Fontes: Estadão/Isto É/G1