Incentivo a micro e pequenas empresas em Canoinhas seria a solução para gerar emprego e renda?

O presidente do Banco Planalto Norte, Gilson Pedrassani, e o Gerente Executivo da instituição, Nivaldo Brey Junior, utilizaram a tribuna na Câmara de Vereadores nesta semana para debater a importância do microcrédito para o desenvolvimento econômico regional.

Nivaldo explicou que o Banco Planorte – como é conhecido na região – foi criado com o apoio de entidades após o surgimento da necessidade em oferecer acesso ao crédito a micro e pequenos empreendedores, sejam estes formais ou informais. 

Canoinhas

Apesar do nome fantasia trazer a palavra “banco”, o Planorte é uma instituição do terceiro setor, administrada por um conselho formado por voluntários e considerada utilidade pública municipal desde 2008.

O gerente executivo do Banco Planorte explicou que a política da instituição baseia-se na concessão de crédito por um modelo alternativo, visando a consolidação e crescimento de micro e pequenas empresas, especialmente aquelas administradas por cidadãos de baixa renda.

O objetivo do trabalho desenvolvido pelo banco, segundo Nivaldo, é a geração de emprego e renda para apoiar as atividades locais. Com sede em Canoinhas, a instituição possui filiais em Mafra, Porto União e São Bento do Sul, e trabalha com liberação de valores que variam entre R$200 e R$20 mil.

Como uma das principais diretrizes da concessão do microcrédito no Banco Planorte, Nivaldo destacou a educação financeira. O princípio objetiva garantir que os empreendedores busquem, por meio da qualificação, o investimento consciente do crédito cedido pelo banco. 

“Como nós temos um cunho social, nós entendemos que temos que liberar o crédito e acompanhar esse empreendedor informal para que amanhã ou depois ele registre a empresa, pague tributos, gere empregos e desenvolvimento”, afirmou.
Ao longo dos 17 anos de atuação, a instituição já liberou mais de R$75 milhões
Gilson Pedrassani e Nivaldo Brey/Divulgação
para a região em mais de 30 mil operações, o que gera uma média de R$2.400 por empréstimo. 

Nivaldo ainda comentou que o maior público do banco é formado por mulheres, que utilizam o crédito em empreendimentos para o incremento da renda familiar, e que 62% dos usuários do microcrédito são empreendedores informais.
O trabalho realizado pela entidade tem cunho social, uma vez que visa “promover o desenvolvimento econômico e o combate à pobreza através da inclusão das pessoas nos sistemas formais de crédito”. Considerando a importância das entidades no processo de incentivo ao micro e pequeno empreendedor, Pedrassani ressaltou a necessidade da população se mobilizar para promover a igualdade social.

Reinaldo Knorek

O professor  e pós-doutor pela Universidade Nova de Lisboa, Reinaldo Knorek, também fez uso da tribuna para discutir o desenvolvimento econômico do município. 

Professor da Universidade do Contestado (UnC), Knorek concluiu seu pós-doutorado por meio de tese que avalia e compara as políticas públicas de desenvolvimento de Portugal e do Brasil. 

Logo no princípio de sua fala, o professor explicou ao público a diferença da política de governo, a qual classifica como temporária e pertencente a mandatos determinados, e a política pública, que está na forma de lei e demanda continuidade. “Tem muitas ideias que morreram por serem programa de governo e não terem continuidade. Os cidadãos pagam muito por isso”, afirmou.


Em sua fala, Knorek buscou explicar conceitos estudados em sua tese para a compreensão da importância das políticas públicas de desenvolvimento. O professor destacou a diferença entre desenvolvimento regional, que “transcende o lado cultural e espaço geográfico”, e o desenvolvimento territorial, que “está limitado aos limites do município e do estado”. “Desenvolvimento é além de crescimento. Perpassa pela ideia do social, econômico e ambiental”, afirmou. 

Ao abordar o tópico empreendedorismo, Knorek comentou que já houve a iniciativa da universidade implementar uma incubadora tecnológica, tema que foi debatido em seminários na casa de leis. 

Para o professor, no entanto, é preciso aprofundar o diálogo, pois o projeto demanda de gestão. Knorek ainda destacou a necessidade em estudar a logística da cidade, considerando as rodovias que passam pelo município. “Precisamos criar instrumentos de gestão, capacitar pessoas e utilizar desses instrumentos”, concluiu.