Casos de suicídio em Canoinhas e região. Como ajudar?


O suicídio é um fenômeno presente ao longo de toda a história da humanidade, em todas as culturas.

Durante séculos de nossa história, por razões religiosas, morais e culturais o suicídio foi considerado um grande “pecado”, talvez o pior deles. Por esta razão, ainda temos medo e vergonha de falar abertamente sobre ele.

+Mitos e verdades sobre o suicídio


A mídia tem obrigação social de tratar de assunto de saúde pública e abordar esse tema de forma adequada.
Isto não aumenta o risco de uma pessoa se matar; ao contrário, é fundamental dar informações à população sobre o problema e onde buscar ajuda.
A palavra Suicídio foi criada em 1737 por Desfontaines. Deriva do latim sui, "próprio" e de caedere ou cidium: "matar". É o ato intencional de matar a si mesmo.
Pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer.

Em Canoinhas, só este ano foram 22 tentativas, e na região 4 suicídios consumados em 2017.

A esperança é o fato de que, segundo a Organização Mundial da Saúde, 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos.


Mas como buscar ajuda se sequer a pessoa sabe que ela pode ser ajudada e que o que ela passa naquele momento é mais comum do que se divulga?

Ao mesmo tempo, como é possível oferecer ajuda a um amigo ou parente se também não sabemos identificar os sinais e muito menos temos familiaridade com a abordagem mais adequada.

Fatores de risco

Sabe-se que quase todos os suicidas tinham uma doença mental, muitas vezes não diagnosticada, frequentemente não tratada ou tratada de forma não adequada.
Por isso é importante o diagnóstico já na infância e adolescência.

Os transtornos psiquiátricos mais comuns incluem depressão, transtorno bipolar, alcoolismo e uso/dependência de outras drogas e transtornos de personalidade e esquizofrenia.
Esquizofrenia é um distúrbio mental caracterizado por comportamento fora do normal e incapacidade de distinguir o que é ou não real. Entre os sintomas mais comuns estão delírios, pensamento confuso ou pouco claro e alucinações.
Transtorno Bipolar é uma doença psiquiátrica caracterizada por variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão e mania.

Impulsividade, principalmente entre jovens e adolescentes, figura como importante fator de risco. A combinação de impulsividade, desesperança e abuso de substâncias pode ser particularmente letal.


Eventos na infância e na adolescência:

Maus tratos, abuso físico e sexual, pais divorciados, transtorno psiquiátrico familiar, entre outros fatores, podem aumentar o risco de suicídio. 

Na assistência a adolescentes, os médicos, os professores e os pais devem estar atentos para o abuso ou a dependência de substâncias associados à depressão, ao desempenho escolar pobre, aos conflitos familiares, à incerteza quanto à orientação sexual, à ideação suicida, ao sentimento de desesperança e à falta de apoio social.

Nenhum tipo de transtorno mental deve ser menosprezado. Sim, é uma doença! Sim, precisa de medicamentos! Sim, todo cuidado é necessário! E não, não é "frescura"!

Como ajudar?

Pode ser que, em algum momento de nossas vidas, desconfiemos de que alguém próximo está pensando em suicidar-se em decorrência de um grande sofrimento. 

Diante dessa situação, o sentimento de impotência pode se fazer presente, fazendo-nos acreditar que não há como intervir, entretanto, ao contrário do que o senso comum tende a reproduzir, existem diversas maneiras de auxiliar essa pessoa.

Se há uma desconfiança, é importante que se converse diretamente com a pessoa que está sofrendo. Um diálogo aberto, respeitoso, empático e compreensivo pode fazer a diferença.

Algumas frases devem ser evitadas: não é indicado dizer coisas como “Credo, isso é pecado!”, esboçar expressões de choque, “Não acredito que você tá pensando nisso!” e reprimir, caso o choro venha “Pra que chorar? Você sempre teve tudo do bom e do melhor!”.

Você deve escutá-la. Isso não quer dizer deixá-la falando sozinha.
Faça um breve resumo do que a pessoa falou, de tempos em tempos, para que ela saiba que você está atento ao que ela diz; retornar a algum ponto que não tenha ficado claro e tentar, ao máximo, escutá-la sem julgamentos


Oferecer suporte emocional e informar sobre a ajuda profissional, bem como se mostrar à disposição, caso ela queira conversar novamente, são pontos importantes.

Se a pessoa falar claramente sobre os seus planos de se matar e parece estar decidida quanto a isso, é primordial que ela não seja deixada sozinha.

Se você perceber que a pessoa não se sente à vontade para se abrir, deixe claro que você estará disponível para conversar em outras oportunidades. 
Fale com respeito, não exponha a pessoa, nem a família.

Você também pode indicar os serviços oferecidos pelo CVV -Centro de Valorização à Vida- telefone 141,que trabalha para promover o bem estar das pessoas e prevenir o suicídio, em total sigilo, 24h por dia.

É consenso que falar é a melhor solução. Muitas mortes poderiam ser evitadas se a informação de que se pode pedir ajuda e dividir o que se sente com alguém fossem disseminadas. Também é bom conhecer os mitos e verdades sobre o suicídio.

Neste momento alguém pode estar querendo que segure sua mão e diga "você vai conseguir ser feliz, acredite em mim".

É isto que a campanha Setembro Amarelo quer. Participe! Vista amarelo!
 “Doe um minuto, mude uma vida".