Investigação que iniciou em Irineópolis desmantela organização criminosa que deixava rastro de pavor em cada ação

O bando é o mesmo que trocou tiros com a Polícia Militar e o Gaeco em maio na BR-280, na região de Canoinhas e Major Vieira, quando planejava explodir um banco em Caçador.
Em quatro meses, foram 18 ataques a bancos em Santa Catarina e Paraná. Armamento pesado, uso de explosivos, cidades sitiadas, três confrontos com a polícia e um rastro de pavor em cada ação.


Tudo iniciou em Porto União, em fevereiro deste ano, com base em um relatório do Bope da Polícia Militar de Santa Catarina, após tentativa frustrada de assalto a uma agência bancária em Irineópolis, no Planalto Norte Catarinense.
Já em 25 de março, as 3 horas da madrugada, moradores acordaram assustados com o barulho das explosões. Caixeiros destruíram a agência do Banco do Brasil da cidade.

Diante do tamanho da quadrilha, o Gaeco de Joinville foi acionado e começou a apuração com um relatório do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
O esquema criminoso investigado estava envolvido nas ocorrências de arrombamento e explosões de estabelecimentos bancários nos Estados de Santa Catarina e Paraná.

Ação dos bandidos exibida pelo Gaeco durante a entrevista coletiva.
 Imagem: Reprodução/GAECO
Em quatro meses, foram 18 ataques a bancos nos dois estados.
A quadrilha seria uma das maiores que agia em Santa Catarina e vinha agindo com grandes ataques a agências bancárias desde 2014, principalmente no Planalto Norte catarinense.

Agência do Banco do Brasil de Irineópolis foi parcialmente destruída em assalto no dia 25/03/2017. Arquivo
O Gaeco afirmou que os criminosos procuravam cidades pequenas, com até três policiais por plantão e sem poder de fogo para enfrentar quadrilhas com fuzis. Os 'caixeiros' atuavam no norte catarinense e em municípios paranaenses próximos a divisa com Santa Catarina.

 As prisões dos integrantes da organização criminosa no decurso da investigação e da operação policial se deram nas mais diversas cidades de Santa Catarina e Paraná, dentre elas: Navegantes/SC; Rio do Sul/SC; Canoinhas/SC; Camboriú/SC; Rio Negrinho/SC; Curitiba/PR; Fazenda Rio Grande/PR; Janiópolis/PR; Quitandinha/PR; Peabirú/PR; Araucária/PR; e Campo Mourão/PR.

Agência do Banco do Brasil em Monte Castelo ficou totalmente destruída em 16/03/2017.
Arquivo
A ação deflagrada nesta quarta-feira (02), denominada Operação Integração ( A operação foi nominada de Integração em razão da união de esforços dos órgãos responsáveis pela Segurança Pública de Santa Catarina e Paraná) foram cumpridos mandados de busca e apreensão em vários municípios.

Agência do Bradesco de Quitandinha/PR, foi detonada pelos ladrões em 28/02/2017.
 Arquivo
No cumprimento dos mandados foram apreendidos diversos objetos relacionados com os crimes investigados e que serão encaminhados ao Poder Judiciário, tais como, cinco revólveres calibre 38; sete espingardas calibres diversos; munições; e 80 quilos de explosivos arrecadados na residência de um dos investigados, no município de Camboriú.

Doze pessoas estão presas, sendo nove diretamente envolvidas com uma organização criminosa sediada no Vale e litoral Norte catarinense e região metropolitana de Curitiba.

Ao menos 80 quilos de explosivos foram apreendidos na operação de quarta-feira (02/08/2017)
Imagem: Gaeco/Divulgação
Entre os presos estão dois assaltantes considerados mentores dos roubos, que são de SC e PR, mas não tiveram os nomes revelados em uma entrevista coletiva à tarde, na sede do Ministério Público de SC.

Em Santa Catarina, os assaltantes agiram em bancos de Porto União, Irineópolis, Papanduva, Monte Castelo, Rio dos Cedros e Otacílio Costa.
No Paraná, nas cidades de Mandirituba, Quitandinha, Cruz Machado e Janiópolis.

Assalto ao Banco Itaú de Quitandinha/PR, em 29/03/2017
Imagem: Tribuna do Paraná
Apreensões:

Várias armas e munições também foram apreendidas durante o período de monitoramento do grupo criminoso, do total destaca-se: um fuzil israelense 7.62; 04 fuzis 5,56; uma espingarda calibre 12; cinco pistolas (9mm e .40); mais de 2 mil munições de 5,56 e 400 de 7.62.

Umas das características da organização criminosa era o nível de violência empregadas nas ações, tendo sido registradas três ocorrências com confronto policial, ocorridas em Canoinhas/SC, Quitandinha/PR, e Janiopólis/PR.

Troca de tiros entre assaltantes e PM de Canoinhas e Major Vieira, após tentativa frustrada de assalto a agência bancária de Caçador/SC, em 15/05/2017.
Arquivo
Algumas cidades em que a quadrilha agiu:

Roubo ao Banco do Brasil em Irineópolis/SC – 08/02/017

Roubo ao Banco Bradesco de Mandirituba/PR - 21/02/2017

Roubo ao Banco Bradesco de Quitandinha/PR – 28/02/2017

Roubo ao Banco do Brasil em Monte Castelo/SC – 16/03/2017

Roubo ao Banco Itaú em Quitandinha/PR – 29/03/2017

Roubo ao Banco do Brasil em Cruz Machado/PR – 04/05/2017

Tentativa de roubo ao Banco do Brasil e Bradesco em Rio dos Cedros/SC – 09/05/2017

Roubo às agências do Banco Bradesco e Caixa Econômica Federal em Otacílio Costa/SC – 12/05/2017

Roubo ao Banco do Brasil de Janiópolis/PR – 01/06/2017

Justiça

Agora, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) em Porto União, no Norte do estado, vai reunir todas as provas que a operação recolheu e fazer um relatório à Justiça.

Nesse documento, os promotores poderão pedir a condenação dos suspeitos de integrar a quadrilha por crimes como roubo ou, nos casos em que houve confronto com policiais, por tentativa de latrocínio.

A operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) de Santa Catarina, juntamente com a Polícia Militar do Estado do Paraná, por meio do 17º BPM de São José dos Pinhais, e apoio da Polícia Militar de Santa Catarina (Bope, 15º BPM de Caçador, Companhia de Porto União, 23º BPM de São Bento do Sul e 12º BPM de Balneário Camboriú).
Assista ao vídeo com a ação da quadrilha em Porto União/SC filmada pelas câmeras de segurança;
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