24 de agosto de 1954. Getúlio Vargas "saía da vida para entrar na História"

Antes das 8h, Vargas teria saído do quarto de pijama e se dirigido ao gabinete. Um camareiro o teria visto voltando ao quarto com um volume pesado no bolso do pijama.

Meia hora depois, teria sido escutado o estampido do revólver. Os familiares e assessores encontraram então Getúlio sobre a cama, já agonizando.

O presidente Getúlio Vargas havia disparado um tiro no peito na manhã do dia 24 de agosto de 1954, no Palácio do Catete, no Rio, aos 72 anos.

Jornal da época, noticiando o suicídio de Getúlio. Imagem/internet
Sobre o fato, sua filha, Alzira Vargas diz: “Eu saí correndo feito uma doida e me joguei sobre o corpo dele. Ele ainda estava vivo e eu tive a impressão de que esboçava um sorriso”.

Em uma mesa de cabeceira foi encontrada a carta-testamento assinada por Vargas. A carta foi transmitida por telefone para a rádio Nacional:
"Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História", escreveu.
Com a notícia da morte de Getúlio, povo começou a sair para a rua, aquela agitação toda. O cadáver de Getúlio exposto, visitado por inúmeras pessoas que choravam, pessoas que desfaleciam, que tinham ataques e chiliques.

No velório, pessoas desfaleciam, tinham ataques e chiliques. Imagem/internet
 Getúlio Dornelles foi presidente do Brasil em dois períodos. 
O primeiro período foi de 15 anos ininterruptos, de 1930 até 1945, e dividiu-se em 3 fases: 
-de 1930 a 1934, como chefe do "Governo Provisório"; 
-de 1934 até 1937 como presidente da república do Governo Constitucional, tendo sido eleito presidente da república pela Assembleia Nacional Constituinte de 1934; 
- de 1937 a 1945, como presidente-ditador, durante o Estado Novo implantado após um golpe de estado.

Foi eleito novamente presidente em 1950. Os problemas na administração de Vargas começaram a se agravar no início de 54.

A UDN (União Democrática Nacional) denunciava desde desfalques até negócios escusos com o dinheiro público no governo.

O estopim da crise foi o assassinato do major-aviador Rubens Florentino Vaz. O atentado seria contra o jornalista Carlos Lacerda, crítico ferrenho do governo Vargas.

Carlos Lacerta, inimigo político de Getúlio. Imagem: Wikipédia
O crime teria sido praticado por um pistoleiro contratado pela segurança presidencial. Vargas foi acusado de ser o mandante. 

Ao tomar conhecimento do atentado contra Carlos Lacerda na rua Tonelero, Getúlio disse: "Carlos Lacerda levou um tiro no pé. Eu levei dois tiros nas costas"!

A última ação de Vargas como presidente foi a convocação de uma reunião ministerial, que começou às 3h do dia 24, para discutir a recusa do presidente em renunciar.
Durante a reunião ficou decidido que Vargas pediria uma licença.
Ao invés disso, preferiu tirar a vida. E entrar para a História.



Cópia da Carta-testamento de Getúlio Vargas