Beber para esquecer?

Quem nunca disse ou pelo menos ouviu a frase “Eu bebo para esquecer, se fosse para lembrar eu anotava”?

A frase pode até fazer sentido, mas só quem já abusou do álcool sabe que não existe borracha mais eficiente para memória que beber além da conta. Mas um novo estudo publicado na revista Nature sugere que encher a cara pode também ter um efeito contrário: facilitar que você se lembre de algo que aprendeu antes da bebedeira.


Um experimento, conduzido pela Universidade de Exeter (A Universidade faz parte do 1994 Group, uma coalizão de universidades pesquisadoras no Reino Unido, na Inglaterra) com 88 pessoas entre 18-53 anos, mostrou que quem havia enchido a cara na noite anterior se deu melhor na tarefa de decorar novas palavras.

Todos os participantes disseram beber apenas socialmente e concordaram em participar do estudo.
Durante 45 minutos, eles ouviram 24 novas palavras, que se repetiam alternando a ordem. As novas palavras eram recombinações de palavras que já existiam em inglês.

Depois disso, eles foram divididos em dois grupos. O primeiro grupo bebeu, sob supervisão, a quantidade necessária para ficar um pouco "alto".
O segundo grupo teve que resistir à tentação e permanecer sóbrio.

No dia seguinte, eles participaram novamente do teste com as palavras. Surpreendentemente, quem não tinha resquícios de ressaca foi pior no teste. 

Quem havia bebido conseguiu se lembrar de mais palavras, se comparado a quem permanecia sem nada de álcool no sangue. E, quanto mais bebum o participante, mais sua memória pareceu funcionar na hora H. “O efeito foi mais perceptível para aqueles que beberam mais”, diz Celia Morgan, uma das autoras do estudo.

Apesar do porquê ainda não ser entendido por completo, a hipótese dos cientistas é de que o álcool bloqueie a capacidade de aprendizado de novos conteúdos. Isso facilitaria ao cérebro a tarefa de transformar a informação recentemente absorvida em lembranças mais definitivas.

Isso não significa que encher a cara regularmente lhe fará acompanhar aquela matéria complicada na faculdade ou fixar melhor qualquer informação.

Sua memória, aliás, não deixará que você se esqueça do conteúdo mais importante do dia: os efeitos da ressaca que você teve na manhã seguinte.

Nota do Canoinhas Online:
O álcool produz muitos danos a médio e longo prazo no organismo. As pessoas em geral se preocupam com o efeito do álcool no fígado, mas o dano que ele provoca no cérebro, especificamente na memória, é muito mais grave e mais comum.
Exames neuropsicológicos que avaliam a memória e outras funções cerebrais em pessoas não necessariamente dependentes de álcool, mas que tomam três doses de uísque por dia, comprovam a existência de danos sutis na memória e na rigidez do pensamento, que elas não percebem ou atribuem ao processo natural do envelhecimento. A evolução pode ser lenta, mas o uso nocivo do álcool dentro desse padrão médio de consumo acarreta, com certeza, distúrbios cerebrais.
Revista Superinteressante
Springer Nature/Inglaterra
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