Qual o preço de uma vida? R$ 40,00? Esse valor poderia ter salvo a vida de uma criança


Sobre o caso da morte da menina Heloisa Mathias Lisboa, da cidade de Mafra, uma equipe de reportagem fez um cálculo para saber aproximadamente quanto custaria o abastecimento de uma ambulância para ter feito o transporte da criança.

Levando em conta que o veículo faz de 10 a 12 km por litro de diesel nas estradas e o litro de diesel custa R$ 3,29 ( em um posto de Joinville), a viagem custaria menos de R$ 40,00.


O coordenador do SAMU, em Florianópolis, Carlos Eduardo Pereira Carpes, não autorizou o abastecimento.

Heloisa chegou ao Pronto Atendimento de Mafra, na madrugada do dia 07 de junho, com suspeita de broncopneumonia.
No dia seguinte, logo pela manhãa equipe médica concluiu que a menina teria que ser transferida para o hospital infantil em Joinville.

O primeiro contato com o SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - da central de Joinville, foi feito meia hora depois.

O médico de Mafra informou que a ambulância não tinha combustível e foi informado que a mesma só poderia ser abastecida com cartão corporativo.
O médico regulador disse que a ambulância de Mafra não tinha combustível e recebeu como resposta que para abastecer era só com o cartão corporativo da empresa que administra o SAMU.
As 3 horas da tarde, a médica de Mafra apelou para o coordenador do SAMU na capital, Carlos Eduardo Pereira Carpes, mas ele também negou a autorização para abastecer a ambulância por conta própria.

Só por volta das 11 horas da noite, uma ambulância de Canoinhas chegou à Mafra.
Também por falta de combustível, os profissionais foram informados que o transporte seria feito somente até Rio Negrinho, e de lá por outra ambulância.
De novo os médicos pediram autorização para abastecer e evitar a troca de ambulâncias, mas o pedido foi negado pela coordenação do SAMU.


Só as 3 horas da madrugada, do dia 09 de junho, 17 horas depois, a menina deu entrada no Hospital Infantil de Joinville.

No dia seguinte, ao meio dia e meio, ela não resistiu a terceira parada cardíaca e morreu.

De quem é a culpa?

Em 2012 o governo tercerizou a administração do SAMU para a empresa paulista SPDM - Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina.

O registro de pagamentos mostra que somente neste mês de Junho, a empresa recebeu 8 milhões de reais para o custeio mensal do serviço.


Até agora a SPDM e a Secretaria Estadual da Saúde não explicaram onde está expressa a proibição de receber a doação de combustível em caso de emergência.
Ninguém também diz porque as ambulâncias que atendem o Planalto Norte não estavam abastecidas a ponto de não dar conta do serviço.

Edilaine Mathias, mãe de Heloisa
O Ministério Público de Contas, responsável por fiscalizar os contratos de despesas públicas, vai apurar irregularidades na prestação do serviço, tanto por parte da Secretaria de Estado da Saúde como da empresa que administra o serviço com o uso de recursos públicos.

Em entrevista, a mãe da pequena Heloisa, pediu que "as pessoas que negaram, que não ajudaram, que podiam ter feito alguma coisa, sejam punidas para que não façam mais isso, porque não é justo".