Entenda porque o mosquito Aedes aegypti é tão perigoso


Primeiro foi a febre amarela, que matou milhares de brasileiros em epidemias no passado. Depois foi a dengue, que só em 2015 afetou mais de 1,5 milhão de pessoas no país.
Recentemente, duas outras doenças se uniram à lista: chikungunya e zika.

Todas são transmitidas pelo mesmo vetor: o Aedes aegypti. Mas por que esse mosquito se tornou uma ameaça tão grande? 
Por que ele é tão eficiente como transmissor de doenças?

Segundo especialistas, parte disso tem a ver com o próprio processo evolutivo, no qual os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela se adaptaram bem ao organismo do Aedes aegypti e vice-versa. 

Essa espécie de mosquito se tornou muito suscetível a eles, ou seja, seu organismo oferece as condições adequadas para que eles se instalem.

Mas há outros fatores que tornam o Aedes aegypti mais perigoso, disseminado e difícil de ser erradicado. Veja sete deles.

1- Convivência com o homem

O Aedes aegypti se acostumou a viver perto do homem. Ele se prolifera em áreas urbanas, especialmente naquelas com grande densidade populacional, ou seja, muita gente vivendo em pouco espaço.

Também são insetos domiciliados, que preferem viver em ambientes internos, como o interior de casas e outras construções. 
Com isso, convivem ainda mais de perto com os seres humanos, ao mesmo tempo em que ficam protegidos das condições climáticas, o que favorece sua sobrevivência.

2- Apetite por sangue humano

O Aedes aegypti tem preferência pelo sangue de mamíferos, especialmente o de seres humanos. Mesmo na presença de outros animais, é o homem que ele vai picar.

Somente a fêmea do mosquito se alimenta de sangue, porque precisa dele para amadurecer seus ovos. 

Uma vez infectada, ela carrega o vírus para o resto da vida e pode transmiti-lo para várias pessoas.

Aliás, é o que ela costuma fazer, inclusive em um curto espaço de tempo: após sugar o sangue de uma pessoa, ela pode picar outras pessoas no mesmo ambiente até ficar satisfeita. É por isso que é comum que várias pessoas da mesma família contraiam dengue.

3- Picada indolor

O Aedes aegypti tem um anestésico na saliva, o que dificulta que a pessoa perceba quando está sendo picada.

4- Alimentação de dia e à noite

Diferentemente de outros mosquitos, que só picam durante o dia ou durante a noite, o Aedes aegypti pode se alimentar nos dois períodos. Na verdade, ele tem hábitos diurnos, mas com a presença de luz artificial, pode picar à noite também.

5- Variabilidade genética

Uma pesquisa recente do Instituto Butantan mostrou que o Aedes aegypti possui patrimônio genético muito rico e variável. Isso significa que eles têm um grande potencial para evoluir rapidamente e adaptar-se às adversidades.

6- Múltiplos ovos

Cada fêmea de Aedes é capaz de botar até 100 ovos de uma vez, e ela faz isso a cada cinco dias – o tempo de vida médio de um mosquito é em torno de 40 dias em laboratório e 20 na natureza.

Outro agravante é que os ovos são distribuídos por diversos criadouros, o que aumenta a chance de sobrevivência e ajuda na dispersão da espécie.

Além disso, a fêmea contaminada tem a capacidade de transmitir os vírus aos ovos, ou seja, os mosquitos já nascem infectados. Isso multiplica as chances de propagação.

7-A grande quantidade de criadouros é outro fator que favorece a propagação do Aedes. 
De caixas d’água a vasos de plantas, de pneus a tampinhas de garrafa, qualquer lugar com água parada pode servir para a fêmea botar os ovos. Por isso, é tão importante eliminar ou fechar o acesso a esses recipientes.

Mas nem a falta de água consegue barrar a reprodução do mosquito. Os ovos do Aedes têm a capacidade de sobreviver em recipientes secos por até um ano. 

Eles ficam adormecidos e basta terem contato com um pouco de água para eclodir. Então, não basta evitar de deixar água parada dos recipientes. Recomenda-se também limpar bem suas paredes.

De acordo com o Centro para a Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, se forem eliminadas todas as larvas, pupas e adultos de um lugar, a população do mosquito pode se recuperar em apenas duas semanas, graças aos ovos. 
Assim que eles têm contato com água, continuam a se desenvolver.

A coisa é realmente séria!